Ainda não te disse nada

Capa aberta - Ainda não te disse nada O livro de Maurício Gomyde me levou para minha fase pré-adolescente/adolescente, quando o que eu mais gostava de fazer era me corresponder por cartas. Na época – não tão longe assim – as revistas teens publicavam endereços com as características das pessoas e eu escolhia algumas para enviar cartas. Era tão divertido. Enviar a carta e depois ficar esperando a resposta era um dos meus hobbies favoritos. Fiz amizades em vários cantos do país, até tenho algumas dessas cartas guardadas, uma pena que hoje em dia não se faça mais tanto isso. Até porque a internet deixou essa comunicação muito mais veloz, com resposta instantânea. Mas a magia de enviar e receber uma carta pelos Correios é única.

Em Ainda não te disse nada acompanhamos a estória de Marina, filha de uma tradicional família italiana, dona de padaria, em uma cidade do interior, uma mulher com um sonho de ser uma famosa estilista. Em busca de realizar seu sonho, Marina acaba com as esperanças do pai de ela tocar a padaria e se muda para São Paulo para estudar o que ela tanto ama: moda. Para conseguir custear algumas despesas – já que ela também conta com o paitrocínio – Marina trabalha em uma agência dos Correios. E é no ambiente de trabalho que surge a discussão sobre o que falei um pouco acima, hoje em dia praticamente ninguém mais envia cartas, os Correios servem mais para despachar encomendas e pagar contas. Porém, na grande metrópole que é São Paulo e na agência de Marina, há uma mulher muito bonita que semanalmente envia cartas. O que, é claro, aguça a curiosidade da protagonista.

Ah, é só jogar qualquer asneira que o computador corrige na hora, antes mesmo da ignorância própria ser identificada. E eu estou para ver hoje em dia alguém escrever com paixão como no meu tempo. Dona Jane – Página 17

Acontece que a tal moça, frequenta o mesmo café em que Marina vai após o trabalho para olhar as revistas de moda e dar um tempo antes de correr para a faculdade. No dia que Marina a vê, ela escreve uma carta com paixão. Marina passa o óleo de peroba na cara, vai ao encontro da mulher e a questiona sobre as cartas. A moça é dona de uma empresa, Anjo Carteiro, que é contratada por familiares para escrever cartas se passando por um grande amor do passado, geralmente para que quem receba se sinta lembrado, feliz e tudo que uma carta assim possa despertar em uma pessoa.

Semanas depois uma carta chega às mãos de Marina, talvez por obra do destino, e muda sua vida inteira. Heitor é o remetente, ele responde à sua amada eterna, uma carta linda, cheia de sentimento, capaz de preencher qualquer vazio. Mas Marina fica em dúvida se a responde ou não. Após pensar muito, por pena do senhor que a escreveu, decide responder e uma ligação forte nasce entre os dois. Bom, nasce nela, porque para ele, a ligação existe desde que ele conheceu sua amada eterna. Essa relação faz com que ela desenhe com mais paixão, com que sua criatividade fique à beira da genialidade, com que sonhe e acredite em coisas melhores na vida. As palavras de Heitor, sempre lindas e próprias para o momento, fazem com que Marina se apaixone não pela pessoa, mas pela alma que consegue colocar no papel sentimentos tão puros.

Esperei-te, desejei-te, sonhei contigo milhares de noites. […] Saber que ainda estás a andar pelo mundo com o teu olhar magnífico a ancantá-lo é o que me fará respirar a cada segundo dos meus dias. Trecho da carta de Heitor. Página 67.

Mas como pode uma mulher de 25 anos se apaixonar por um senhor de mais de 70? Esse relacionamento é possível? Como ele vai reagir ao descobrir que ela não é quem ele pensa? Ela deve continuar a se corresponder com ele? Só lendo para saber, né?

Eu gostei muito mesmo do enredo. Não posso dizer que não imaginei em algum momento o fim que o livro levou, mas mesmo assim foi incrível. Bem desenvolvido. Os personagens são simpáticos, apesar de não se saber muito sobre os “coadjuvantes” é possível sentir empatia por eles, quem não vai rir com as amigas de Marina, Francesca e Thaís? Os diálogos entre elas são hilários – alguns são dispensáveis –, acho que o Maurício andou colocando gravador em banheiro feminino para tirar aquelas conversas, hein? São muito características. Luca me decepcionou total e completamente, pensei que por seu histórico, ser italiano e tal, seria um cavalheiro, prefiro nem comentar. O irmão de Marina também é uma figuraça.

E essa capa? Linda, linda, linda. Toda cheia de significados. O livro foi uma ótima leitura, ontem na fila do banco eu até ria sozinha. Esperava ansiosa pelas cartas e para saber de qual cor seria a pétala de rosa que Heitor mandaria na carta. Fiquei envolvida, de verdade. Mas nem tudo são flores, encontrei muitos errinhos de edição, que não foram absurdos, mas que incomodaram um pouquinho. O começo também foi um pouco lento, às vezes com muitos diálogos. Porém, pelo conjunto da obra, e pelo fim que eu adorei, o Maurício merece muitos parabéns e vocês merecem a indicação da leitura. Quem puder ler, não perca a chance e depois me diga o que achou.

Ah, o Maurício fez uma trilha sonora para o livro, quem quiser conferir é só clicar aqui.

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Beijos e ótima terça-feira.

barrinha41

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