Meu amor, meu bem, meu querido

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Como é bom ser surpreendida. Confesso para vocês que comecei a ler Meu amor, meu bem, meu querido, da Deb Caletti, lançamento da Novo Conceito, só por causa da capa. Desde que a vi pela primeira vez eu amei e essa escolha por capa nem sempre dá certo. Até quase a metade do livro meu pensamento era de que leria só mais uma história de amor adolescente, da menina certinha que se apaixona pelo bad boy e que juntos eles se meteriam em confusão para depois ficarem juntos sem mais aventuras do mal. Nesse ponto, eu estava meio desgotosa com o livro, achei que seria só mais um. Não podia estar mais enganada. O que começou como uma coisa comum, terminou de forma extraordinária.

Ruby McQueen pode até ser tratada como a protagonista do livro, afinal, quem nos conta a história é ela. Mas na minha opinião os protagonistas foram todos os queridos que apareceram no livro. Deixem eu explicar melhor, começamos o livro conhecendo Ruby e Travis Becker. Ela é a garota calada da escola – obviamente que depois de um trauma –, tem um humor do tipo que eu gosto, faz sempre piadinhas, e ele é o cara rico, lindo e perigoso que atormenta os pensamentos de Ruby e de muitas outras meninas. Eles conversam um dia e ele simplesmente toma posse dela, algo assim. Com ele, ela é irresponsável, aventureira e tantas outras coisas que nem sabia que podia ser. Tudo parece maravilhoso, até que ela percebe quem ele realmente é. Mas isso só ocorre depois de ela quebrar a cara com ele algumas vezes. Ele é mau, um veneno para ela.

Todo mundo diz que eu me pareço com ele (com exceção da barba, creio). É verdade que tenho cabelo escuro, comprido e liso, e olhos escuros. Mas também tenho traços de minha mãe: queixo pontudo, pernas finas e compridas, e pulso de ave, se as aves tivessem pulso. Página 39

Sua mãe, que teve um casamento turbulento e que até hoje ama o ex-marido e se deixa aproveitar por conta desse sentimento, não quer o mesmo para Ruby e resolve ocupar seu tempo, assim, Travis não ficará em sua cabeça. Aqui eu preciso comentar que percebi como nós somos, bem, a maioria de nós. Ruby julga a mãe o tempo todo pelo que ocorre quando o pai dela aparece e como Ann se deixa levar, se deixa enganar por ele. E no fim, ela faz a mesma coisa em relação a Travis. Ou seja, apontar o defeito dos outros é fácil, mas olhar para nossos próprios umbigos defeituosos, nem tanto.

Ela se apegaria aos detalhes da sua visão pessoal, do mesmo modo que fazemos quando lemos um bom livro de ficção. Ela gostava da imagem que criara. Não havia dúvida de que se ela visse o filme, teria odiado e reclamado de que não tinha nada a ver com o original ou com as intenções do autor. Página 41

Continuando, uma das distrações que Ann prepara para a filha é a participação nas Rainhas Caçarolas, um clube do livro frequentado por velhinhas queridas, fofoqueiras, neuróticas e um velhinho bom de fogão. E é a partir desse encontro que o livro melhora em infinitas proporções. Toda a história de Ruby e Travis fica de lado quando a de Lilian e Charles entra em cena. Um amor que dura décadas, que passou por gerações e desencontros, um amor de alma gêmea. Como as Rainhas Caçarolas estão no meio disso?

Elas se autodenominavam “as Rainhas Caçarolas”, porque as senhoras de idade sempre levam comida para a casa das recém-viúvas, na esperança de arranjar um marido. [...] Mesmo que entre elas houvesse um membro do sexo masculino, todas se chamavam assim. De acordo com minha mãe, elas aceitaram Harold porque ele tinha sido chef e fazia ótimos brownies. Além disso, elas mandavam nele. Página 52

Bom, Lilian faz parte do clube do livro, ela sofreu um derrame e teve muitas sequelas, suas filhas cuidam dela, mas com muitas regras. Quando elas ficam entre a felicidade de Lilian, todo o clube se envolve para fazer acontecer. Por isso eu comentei que cada um tem um pouco de protagonista. Chip Júnior, irmão de Ruby, é uma figuraça, o pastor Joe também é super querido, mas as Rainhas Caçarolas são o que há de melhor nesse livro, elas e a linda história de amor, é claro. Terminei com lágrimas nos olhos, o que não é de se admirar.

A trama de Deb Caletti é verdadeira e realmente muito boa de ler, encantadora. Eu me diverti horrores com o que as Rainhas Caçarolas aprontavam, principalmente com o que o Harold aprontava, que velhinho mais sem-vergonha. Dá para se aprender um pouco com cada um deles. Ah, não posso esquecer de Poe, o cachorrinho da família de Ruby. Um doido!! Se eu acho que o Chee apronta, Poe é pior. Ele rói paredes, destrói estofamentos de carro e faz o que bem entende, um fofo quando não está fazendo arte.

Não é legal ficar de calcinha em público, mas tudo bem se você usar um fio-dental; o da Courtney, dava para ver, parecia um pedaço de fio de algodão em que ela se sentou em cima e, de repente, ficou grudado na bunda. Devia doer. Acho que dava vontade nas pessoas de puxar, como um elástico normal. Página 130 (Ruby e suas divagações)

No fim, a história de Ruby não é de amor, mas de amadurecimento. Aprovada!!

P.S.: No fim do livro há um Guia para grupos de leitura, com questões a serem discutidas, um breve comentário da autora sobre o livro e atividades. Muito legal.

Cliques de Meu amor, meu bem, meu querido

DSC06562 Fofurinha da capa

DSC06558Início de capítulos 

DSC06559 Detalhe rodapé

DSC06560Cabeçalho fofo 

DSC06561Parte dos extras que comentei no fim da resenha 

Beijos e uma ótima terça-feira.

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