Sobre robôs e monstros #8

Salve galera!

Na coluna desse fim de semana falarei de uma série bastante contraditória no mundo das séries japonesas. Na verdade, a contradição se dá pela maneira e pela época em que foi transmitida no Brasil. Entretanto, para mim, trata-se de uma série especial, pois resgatou uma parte do Japão feudal e, mesmo tendo sido acometida de alguns tropeços, se firmou como cult e hoje é vista com muito apreço e carinho pelos fãs do gênero. Principalmente por este que vos tecla!

Então, a partir de agora, saberemos um pouco mais dela..

Raion, Raion, Raion....

Lion Man

“Lion Man é a transfiguração de um jovem guerreiro que sozinho luta contra todo o mal”. Com essa narração a aventura começava. Lion Man, no original Fuun Lion Maru, conta a história de Dan Shimaru, um jovem de 21 anos que luta contra as forças de Mantor, que tem por objetivo dominar o Japão Feudal. Para isso, ele possui um foguete preso às costas que utiliza uma pólvora especial e, por conta da energia produzida pela sua espada, consegue transformar-se em um ninja com forma de leão e que lhe confere grande força, destreza e agilidade.

Dan Shimaru

Muita gente, ao olhar apenas o visual da série, a classifica como brega e fraca por sua pobreza de recursos visuais, mesmo para o ano em que foi gravada, e pelo visual dos heróis que lembram figuras antropozoomórficas. Contudo é necessário se olhar mais adiante. Além das primeiras impressões. Sempre fui da premissa que é necessário assistir a série por completo para tirar as próprias conclusões.

A série se passa no século 18 em um Japão ainda longe estar desenvolvido e moderno. Ainda é uma terra governada pela espada e reinam os ninjas e os samurais. Nesse contexto o jovem Dan Shimaru(Shishimaru no original) parte em busca de vingança contra o clã dos Mantor, pois um de seus lacaios acabou por matar o irmão mais velho de Shimaru, Dan Cage Noshin.

Com o desenrolar dos episódios o herói acaba fazendo alguns aliados, como a jovem moça Shinobu e seu irmão Sankichi que estão em busca de seu pai, que há muito está sumido. Apesar de Shimaru preferir seguir viagem sozinho, volta e meia está por perto dos dois, uma vez que é comum a dupla ser atacada pelos ninjas rastejantes – soldados a mando do clã de Mantor – e que a razão disso é explicada ao fim da série.

Lion Man 2

Com sua forma de Leão, o herói derrotava um a um os ninjas humanos mandados para derrota-lo. Com isso ele acaba atraindo a atenção de Yoba, o Black Jaguar, que insiste em desafiá-lo para um duelo, entretanto sem sucesso, uma vez que Shimaru não lutara por diversão. No entanto, Yoba acaba se tornando amigo do herói, mesmo sem conseguir o duelo.

Apesar de seu visual pobre se comparado com as séries que passavam no fim da déc. de 80 no Brasil, vale lembrar que a série foi gravada em 1973, a simplicidade da produção agradou aos fãs brasileiros. Até mesmo por ser mais “realista” que outras séries. Tanto que apresentou a primeira morte de herói. Sim, infelizmente em uma luta, o bravo Black Jaguar veio a morrer em um ataque covarde dos ninjas de Mantor.

 

Isso deixou Shimaru desolado e se culpando pela morte do amigo, e é nesse momento que surge Joe Tiger(Tiger Jo Jr. no original). Um anti-herói que aparece para tentar resgatar o clima da série anterior(???). Calma, explicarei mais adiante.

Se revelando cada vez mais um mestre da arte da espada, Shimaru avança em direção ao núcleo do império de Mantor, que se revela infiltrado nos mais diferentes níveis do país, dominando quase tudo, o que torna a missão de Shimaru cada vez mais difícil.

Com a ajuda de Joe Tiger Shimaru descobre o segredo que o levaria a destruir o clã inimigo que, por muito tempo, subjugou e massacrou o povo.

Em sua luta final, o jovem orgulhoso não aceitou qualquer ajuda e foi sozinho para sua luta final contra Mantor.

Considerações

Como eu falei na questão de controvérsia, Fuun Lion Maru, que foi a série que ficou conhecida por Lion Man no Brasil, tinha tudo para ser um grande sucesso, caso não fossem os tropeços de sua produção. Isso porque não foi seguida, ou ela não é conhecida no Japão, a máxima de “em time que está ganhando, não se mexe”.

Lion Man Branco 1

Isso porque a série antecessora, Kaiketsu Lion Maru, conhecida aqui como Lion Man Branco, fez grande sucesso em seu país de origem e aproveitando o embalo desse sucesso, a P-Productions, mesma produtora de Spectreman, acabou produzindo uma “sequencia” para o seu recente sucesso.

Seguindo a prerrogativa de ter um herói com forma de leão a produtora errou a mão na hora de fazer mudanças. Substituiu o trio de irmãos por apenas um herói solitário. Ao invés de um ninja tradicional, o herói era agora um cowboy de faroeste italiano que, por acaso, utilizava uma Katana. Substituíram suas vestes tradicionais por uma camisa e calça imitando jeans, luvas de couro e botas, também de couro. A transformação que, na primeira série, tratava-se de uma “magia” ninja, invocada como uma prece, algo comum na cultura ninja, agora seria uma mistura de tecnologia futurista com magia ninja.

Lion Man Fora isso, tentaram resgatar a atmosfera de Keiketsu em Fuun Lion Maru com o aparecimento de um Tiger Jo. Até aí nada de mal, afinal os heróis das duas séries tinham suas formas humanas interpretados pelo mesmo ator e tinham a mesma “base”, o leão. Entretanto, na série antecessora Tiger Jo teve seu olho ferido, e 200 anos depois, o novo Tiger Jo aparece com o mesmo olho ferido, como isso é possível?

Aqui no Brasil alguns erros também aconteceram. A distribuidora Top Tape trouxe as duas séries para cá, mas optou por veicular Fuun(Lion Man Laranja) antes de Kaiketsu(Lion Man Branco), e fez parecer que a segunda seria predecessora da primeira. Até entendo, pois Kaiketsu Lion Maru foi inspirada no teatro Kabuki, uma forma de entretenimento muito comum no Japão, e poderia causar um pouco de estranheza no público brasileiro, mas isso revelou-se um grande erro pois, apesar de Lion Man ter tido relativo sucesso na Rede Manchete, quando Lion Man Branco começou a ser veiculado, não teve impacto e a audiência não engoliu a história de “continuação”, o que foi uma pena, pois em termos de história, roteiro, e enredo Kaiketsu Lion Maru é muito melhor que Fuun Lion Maru.

Mas meu objetivo não é criticar e sim divulgar, pois mesmo com todos os tropeços de sua produtora e até mesmo da distribuidora no Brasil, Lion Man é uma série muito legal, divertida e cativante. Com uma trilha sonora que é praticamente perfeita, com músicas alusivas ao clima da série e BGMs que realmente empolgam e emocionam na medida certa ela é guardada com muito carinho na lembrança dos fãs.

Mesmo com a alteração do nome do herói Shishimaru em alusão a forma de leão do personagem, Shishi é leão em japonês, a dublagem também merece destaque, pois foi bem trabalhada e nem mesmo os pequenos deslizes tiram seu charme. Ah, e podem ficar tranquilos, mais adiante falarei de Kaiketsu com mais calma rsrs.

Ficha Técnica

  • Título Original: Fuun Lion Maru
  • Estréia no Japão: 14/04/1973
  • Número de episódios: 25
  • Produtora: P-Production
  • Criação: Shouji Ushio
  • Trilha Sonora: Hiroshi Tsutsui

Bom, é isso pessoal, espero que tenham gostado e que continuem acompanhando a nossa coluna. Um grande abraço e uma ótima semana a todos!

GREGok

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