Sobre robôs e monstros #13

Salve galera!

Depois de uma pausa forçada, que eu espero não torne a acontecer, estamos de volta com a coluna que tenta desbravar um pouco da cultura do entretenimento oriental.

Na última edição falei de uma série dedicada ao público feminino, mas que além de ter obtido sucesso na época de exibição, me agradou bastante.

Portanto, seguindo a linha de séries que me agradaram, na edição de hoje teremos um tokusatsu que, até hoje, está entre um dos melhores que já assisti, em termos de história, personagens e trilha sonora, e não só das que vi na TV, mas também das que assisti via outros meio rsrs.

Convido todos para conhecerem um pouco mais da série de hoje com um sonoro:

Henshin!”

Kamen Rider Black

Aos que assistiram a série apenas na TV, podem estranhar o título, uma vez que a série veio para o país com o nome de Black Kamen Rider e também como Blackman, mas o nome correto do 11º Kamen Rider, na 7ª série da franquia é esse mesmo!

Black e suas motos

Chegando no Brasil, no início da déc. 90, a série era totalmente inovadora, tanto em termos de enredo como em termos de visual, e atraiu o público logo de cara, entretanto para o público nipônico o formato não era nada revolucionário, uma vez que a franquia nascera em 1971 e, por ter saturado seu público, ficou sem possuir novas séries desde 1981. Olhando por esse prisma, pareceria ser um erro lançar essa série, porém a história se mostrou outra, e Kamen Rider Black foi um grande sucesso no Japão.

Primeiramente porque acabou com o continuísmo de organizações criminosas derivadas da antiga Shocker, que foram os primeiros inimigos na primeira série Kamen Rider. Os vilões, agora, eram os Gorgom, que em termos de maldade se assemelhavam à Shocker, mas não tinham qualquer ligação com a antecessora, fato que, creio, ajudou a popularizar a série.

O herói, como não poderia deixar de ser, seria um jovem raptado pela organização, que sofrera uma cirurgia que retirava sua humanidade e o transformara em uma máquina de lutar. Com a diferença de que dessa vez, ao invés de ciborgue, como em séries anteriores, esse seria transformado em um ser mutante.

Kamen Rider Black

Como organização, os Gorgom tinham grande penetração junto à sociedade. Participavam de governos, grandes conglomerados e tinham muita influência na sociedade. Seu líder, conhecido como Grande Rei, precisava ser substituído, e para tanto precisava de uma criança nascida sob o eclipse solar. Para tal intento, Issamu Minami(Kotaro Minami no original) e Nobuhiko Akizuki seu irmão adotivo, foram entregues à organização pelo pai de Nobuhiko para que fossem transformados em guerreiros e lutassem, para que o vencedor assumisse o trono de Grande Imperador Secular! Contudo, arrependido, o pai dos garotos interferiu no momento da cirurgia e consegui libertar, ao menos, Issamu Minami que, agora dotado de poderes, passaria a enfrentar os Gorgom sob a alcunha de Kamen Rider Black.

 

A partir disso, a série começa a se desenvolver. Com um clima muito sombrio e com uma trilha sonora de arrepiar, os episódios vão mostrando a batalha de Issamu contra seus “criadores” na defesa da Terra e dos seres humanos.

Do ponto de vista humano, a vida do protagonista é muito cruel, sendo que ele já tinha perdido os pais biológicos, o pai adotivo e, agora, estava lutando uma batalha a qual ele não havia “criado” e se considerava uma aberração, além de estar na busca de seu irmão que continuava na mão dos Gorgom, triste não?

Por sorte, ele ainda tinha a seu lado, a irmã de Nobuhiko, a qual ele tratava como irmã, Kyoko e a namorada do irmão, Satie, que era muito amiga da cunhada, e ambas, sem saberem da identidade secreta do herói, eram quem davam forças para que ele continuasse o cruel embate!

Se formos ver, na maioria dos casos, a vida dos heróis nunca é fácil, mas no caso do Black, parece que ele entrou na fila da dificuldade umas três vezes!

A primeira grande dificuldade que aparece para o herói é o impiedoso Taurus que era um guerreiro Gorgom, nascido há 30.000 anos, também em um dia de eclipse solar mas que não teve oportunidade de se candidatar ao trono de Imperador Secular, pois não foi “honrado” com um King Stone, coisa que foi dada a Issamu.

Por mais que Black tentasse, as batalhas contra Taurus ficavam mais difíceis sem que o herói conseguisse derrota-lo. A coisa piora quando ele tem acesso ao grande Sabre Satã, arma que seria entregue ao sucessor do Grande Rei e que fora roubada por Taurus. E quando tudo parecia perdido, Taurus é derrotado! Não, não foi por Issamu, mas sim por um dos maiores vilões dos tokusatsus, o temível Shadow Moon.

Como se não bastasse um inimigo mais forte que, o até então imbatível, Taurus, o novo inimigo do nosso protagonista, era ninguém mais ninguém menos que seu irmão desaparecido, que, ao que tudo indicava, sofrera lavagem cerebral!

Com uma aparição digna de Darth Vader, Shadow Moon faz sua primeira aparição diante de um Issamu atônito. Afirmando que buscaria derrota-lo para que pudesse se tornar o novo Imperador Secular, o novo vilão desaparece em meio a uma névoa que deixa o espectador completamente vidrado, sem falar no som que o caminhar dele fazia que era algo simplesmente de arrepiar.

Kamen Rider Black e Shadow Moon

E agora? Além de ter de enfrentar uma organização que quer dominar o mundo, ter sido transformado em uma aberração contra a própria vontade, ter perdido a família e ter um irmão perdido, agora esse irmão volta e diz que quer matá-lo?

Nem cheguei ao final do post e já sou tomado pela nostalgia só de lembrar dos fatos que estou descrevendo. A trilha sonora foi tão bem trabalhada que a impressão que se tem é que a cena foi feita de acordo com a cena, e isso acontece em quase toda a série!

 

Bom, com tudo esse imbróglio rolando, o espectador passava a não saber o que esperar da série, e isso é algo muito interessante, pois ela fica completamente imprevisível e deixando todo mundo ávido pelo próximo episódio.

Agora, Issamu tentara fazer seu irmão recuperar a memória, porém sem ser derrotado pelo mesmo e ainda conter as investidas dos Gorgom, que agora era liderada por Shadow Moon, contra a população do Japão, parada difícil, não?

Mas já dizia o velho ditado, “nada é tão ruim que não possa piorar”. Com a iminente aproximação de um duelo entre os irmãos, uma triste constatação é feita. Uma vez que Black Sun, que era como Shadow Moon chamava o herói e não Senhor Black como a dublagem acabou confundindo, aceitara seu desafio o vilão tomou uma atitude que deixou claro que ele ainda mantinha sua humanidade por baixo da sua máscara.

kamen rider black henshin

Sabendo que o embate poderia tomar proporções catastróficas, Shadow Moon aparece para sua irmã e para a namorada e as pede que o acompanhem, pois era muito provável que ele vencesse a luta e, desprotegidas, elas seriam um alvo fácil para os monstros que tomariam as ruas, ou seja, Nobuhiko ainda existia por baixo da armadura. Ele não tinha perdido completamente sua memória e tinha ciência de que entraria em uma batalha para matar o próprio irmão. Nesse ponto a série entra em seu arco final e é simplesmente perfeita. Como era de se esperar, Shadow Moon derrota Kamen Rider Black em uma cena simplesmente épica, contudo na hora de acabar completamente com a vida do irmão, arrancando-lhe o King Stone, Shadow Moon treme na base e não consegue fazê-lo, argumentando que não precisaria disso para se tornar o Imperador Secular. Após o vilão ir embora, Satie e Kyoko, que acompanharam toda a luta, se aproximam do corpo inerte, porém ainda com vida de Issamu que, em uma cena poética e bela as pede que deixem o Japão, pois agora não teria quem as protegesse e às agradece, pois foi por causa delas que ele aguentou lutar até hoje. Na sequência vemos o corpo do herói caindo no mar, com o narrador falando de sua morte e questionando quem protegeria a Terra agora. Se a série terminasse assim, ficaria sem sentido, porém seria um final digno de aplausos de pé, simplesmente emblemático.

Entretanto, precisaríamos de um herói para tornar a nos defender e, por isso, ele retorna mais a frente, pois é explicado que ele não morrera, mas sim, teria ficado com sua energia no mínimo, e com a ajuda do seu amigo, o Monstro Baleia, ele volta para derrotar o irmão e os Gorgom.

Os Gorgom

Agora sozinho, Issamu desafia Shadow Moon para uma luta final. O vilão herdou os poderes do Grande Rei e, com isso, tomou conta da moto do protagonista, a fiel Battle Hopper. Além disso, teve de assistir, impotente, ao assassinato de seu amigo, o Monstro Baleia, em um ato final da covardia dos Gorgom.

Sem Battle Hopper, e com Shadow Moon com muito mais força, tudo parecia perdido para o herói, entretanto em um esforço final, ele consegue liberar o amigo do controle do vilão. Com isso, Battle Hopper passa a lutar contra Shadow Moon e, como era de se supor, é destruído, mas não sem ferir gravemente seu algoz. Vendo a cena, Issamu se enche de fúria e ataca Shadow Moon, ferindo-o ainda mais, tanto que o vilão é obrigado a retirar-se para não ser derrotado.

Baixando a adrenalina, o herói lembra-se de seu amigo de batalhas e encontra Battle Hopper aos pedaços, exalando seus últimos suspiros, lembrando que a moto era um organismo vivo, dotado de vontade própria. Em vais de perder a vida, o amigo do herói fala pela primeira vez, numa cena simplesmente emocionante onde, com uma voz fraca e quase desaparecendo diz suas únicas palavras:” A.. Arigato! Ri.. Rider”. Tem que ser muito insensível para não deixar escorrer uma lágrima nesse momento.

Black promete ao amigo que se vingará e que a morte dele não será em vão. Toma em suas mãos o Sabre Satã para o embate final contra Shadow Moon e o Grande Rei!

Chegando à base dos Gorgom encontra um moribundo Shadow Moon que insiste em lutar e é facilmente derrotado, mas mesmo quase morto, afirma que ainda será o grande Imperador Secular.

Após isso, o Grande Rei conclama Issamu para que ele assuma o posto de Imperador, posição que o herói obviamente recusa. Como era de se supor os dois lutam e o herói derrota o Grande Rei com a ajuda do Sabre Satã. Em seus últimos suspiros o Grande Rei dá um recado ao herói, dizendo que ele voltaria pois ele sempre nasce em virtude da maldade no coração dos seres humanos, baita recado não?

shadowmoon-1

Enfim, a série termina com o protagonista deixando a base, sem conseguir salvar o desfalecido irmão, e com uma grande explosão em seguida.

A sequência mostra uma recapitulação dos melhores momentos da série e deixa claro que Issamu estaria sozinho para enfrentar o mundo.

A série é algo épico, tanto que foi suficiente para render uma sequência que não é bem sequência rsrs, mas um ano depois foi produzida Kamen Rider Black RX devido o sucesso de Black, que ressuscitou uma franquia que já estava há mais de 6 anos sem uma nova produção.

Tudo foi feito sob medida, o herói não era o mais poderoso da face da Terra, justamente para denotar que nem sempre a vida mostra obstáculos fáceis de serem transpostos e que nem sempre tudo termina como a gente quer. Eu sou suspeito para falar uma vez que tenho a série entre as minhas preferidas, mas realmente ela é de uma qualidade difícil de ser igualada. Quem não assistiu, deveria “perder um tempinho” e dar uma olhadinha nela, pois não se arrependerá!

Ficha Técnica

  • Título Original: Kamen Rider Black
  • Estréia no Japão: 04/10/1987
  • Número de episódios: 51
  • Produtora: Toei Company & Ishimori Productions
  • Criação: Shotaro Ishinomori
  • Trilha Sonora: Eiji Kawamura

Bom, creio que seja isso pessoal, espero que tenham gostado. Dessa vez deixei meu coração teclar mais que minha cabeça rsrs.
Muito obrigado por nos acompanhar e apoiar e continuem ligados na nossa coluna.

Um forte abraço e uma boa semana!

GREGok

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