A menina que roubava livros

A Menina Que Roubava Livros
 
Desde que eu soube sobre a adaptação de um de meus livros favoritos para o cinema fiquei receosa. Não apenas pelo velho e recorrente problema de não poder colocar tudo do livros nas telonas, de cenas diferentes, de erros que praticamente incomodam todo leitor, mas por uma das cenas finais e bastante dolorosa. Jamais me esquecerei de quando terminei a leitura do livro – uns seis ou sete anos atrás –, dei um susto gigante no maridão quando comecei a chorar descontroladamente e soluçar. E aquela cena nunca saiu da cabeça, logo, quando soube do filme, previ que não poderia vê-lo no cinema ou pagaria um mico gigantesco, assim como o susto que dei no marido.
 
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Levou muito tempo de preparação. Estava com o filme há mais de um mês, mas e a coragem? Bom, ela apareceu no último domingo de manhã, quando pude conferir o trabalho dirigido por Brian Percival. Talvez por já conhecer os personagens, fui cativada instantaneamente por eles, pelos que eu já gostava, claro. Liesel Meminger perdeu seu irmão e foi “abandonada” pela mãe para ser criada por um casal de alemães que tinham mais condições do que ela. A “adoção” de Liesel pelo casal lhes rendia uma pensão, que auxiliava no dia a dia, visto que a situação atual era precária. A menina é um doce, seu rosto nos conquista de imediato, sua dor pela perda e pelo abandono, sua confusão por estar em um lugar completamente estranho e cercada por pessoas desconhecidas, o famoso bullying provocado pelos colegas de escola, que estavam no novo cotidiano de Liesel, aparecem nitidamente em suas feições. Mas haviam as coisas boas também, um grande amigo – Rudy –, um pai acolhedor, atencioso e que se preocupava com seu aprendizado - Hans Hubermann – e os livros.
 
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A história se passa na Alemanha – mesmo que os personagens falem inglês – dominada por Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial. Um assunto que muitos outros livros e filmes já trataram. Com certeza, o filme não traz a profundidade do livro, a maestria da escrita de Markus Zusak, no entanto, consegue passar sua mensagem. Liesel não tinha nada, até conhecer os livros. Além de abrir um leque de mundos para os quais fugir e de palavras novas para conhecer e escrever, eles a ensinaram a viver, a gostar, a se deixar ser gostada e diminuíram o sofrimento dela. Esses livros são mesmo incríveis, não é?
 
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Durante sua jornada na casa, os pais de Liesel acolheram um judeu, Max, que virou outro grande amigo. Um ajudava o outro a sobreviver. Mas a guerra chega ao local e ninguém mais está seguro. Homens são convocados, crianças precisam ser treinadas e bombas são lançadas sobre suas cabeças. Max precisa fugir, porque Hans é um homem que não deixou sua humanidade sumir, e Liesel precisa aprender a novamente lidar com a dor. Mas ela estaria se enganando se pensasse que aquela seria a última vez.
 
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Eu, obviamente, desidratei quando aquela cena que comentei no início passou e até antes, porque eu lembrava do que aconteceria e já enchia os olhos de lágrimas. Pensar que essa história pode não ser real, mas que muitas Liesels, Hans e Rudys passaram por aquela situação é de cortar o coração, de ficar se perguntando por que os seres humanos são capazes de tanto estrago, tanto sofrimento. No meio da crise de choro falei pro maridão: foi por isso que te dei um susto. Ele concordou.
Não fiquei me apegando a detalhes, principalmente porque li o livro há anos, e achei que ficou muito bem adaptado. As coisas importantes que eu lembrava estavam ali e consegui me envolver, emocionar, conectar com a história contada. Repito, não existe a maestria da escrita de Zusak, mas sua ideia estava ali. Eu recomendo – e que vocês fiquem com lencinhos por perto. Quando a morte conta uma história, você deve parar para ouví-la.

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Duas curiosidades:

  • O diretor Brian Percival é conhecido pelo trabalho na premiada série Downton Abbey.
  • A Fox 2000 comprou os direitos de adaptação em 2006, mas só começou a dar seguimento ao projeto em 2013.
 
 
Beijos e uma ótima quarta!

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