De coração para coração

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Doação de órgãos é um tema bem difícil de trabalhar. Apesar de todo mundo saber que é uma atitude altruísta, nem sempre se aceita bem que outra pessoa receba e viva com os órgãos de quem amamos e conhecemos. É uma batalha interna entre fazer o bem e deixar a pessoa ir, aceitar que ela não voltará mais. Uma batalha a mais para quem sofre a perda de um ente querido.

Em De coração para coração a autora Lurlene McDaniel trabalha bem o assunto em uma história teen, que mesmo com a temática pesada, conseguiu ter leveza, ser tocante e fazer o leitor refletir.

Tudo começa com uma grande amizade entre Elowyn e Kassey. Elas são inseparáveis, pelo menos até Elowyn começar a namorar. Elas continuam amigas, mas não grudadas como antes, Kassey sempre tem que dividir a amiga com Wyatt, o tal namorado. Kassey não gostava muito dele, ainda mais com todas as idas e vindas dos dois, com as brigas e ciúmes, até pelo distanciamento que ele causava na amizade delas. Mas ela o odiou ainda mais quando uma atitude dele teve uma consequência irreparável. Elowyn sofre um acidente feio e por mais que lute, não consegue sobreviver. Além de toda a dor e todos os sentimentos controversos que a amiga sente, ela precisa lidar com uma informação nova: Elowyn queria doar seus órgãos.

Do outro lado da história está Arabeth. Uma garota que sofreu muito na vida, desde a morte do pai até sua doença incurável no coração. Ela não tem amigos, não pode ir à escola e nem de longe pode ter uma vida normal. Seu coração está morrendo. Mas a esperança chega com a ligação do hospital, contando que finalmente há um coração para ela. Passada a euforia, vêm as preocupações. Recuperação, perigo de rejeição, etc e tal.

Com o transplante, Arabeth poderá ter uma vida que nunca teve. No entanto, essa não foi a única diferença em sua vida, ela mudou. Passou a gostar de coisas que nem sabia que gostava, a ter novos sabores preferidos e cheiros, sem falar em atitudes. Quando conhece os pais de Elowyn e sua melhor amiga, encontra reações diferentes. Os pais veem na garota um pedaço vivo de sua filha e a amiga não aceita que Arabeth tenha tantas coisas a ver com Elowyn agora. A partir daí, essas pessoas precisam trabalhar para aliviar o sofrimento, compreender a dor da perda e assimilar que uma parte de uma pessoa tão importante agora bate no corpo de uma estranha.

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Apesar de ser uma história “rápida”, sem muita enrolação, a trama conseguiu me tocar. Consegui me colocar no lugar de cada uma daquelas pessoas. Nos pais que perderam a filha e têm que atender seu desejo de doar os órgãos, da mãe que vê a possibilidade de uma vida mais longa para a filha e da amiga que sabe que perdeu uma parte importante sua, tendo que lidar com alguém que às vezes age e a faz lembrar da perda e que quer sua amizade. São problemas não só para adolescentes, mas para adultos também.

E o tema abordado é muito importante. Acho interessante que seja voltado para o público mais jovem, para que ele possa assimilar como um ato desses pode salvar outras vidas. É legal inseri-lo no cotidiano, nas conversas, criar debates. Porque mesmo sendo o certo, nem sempre é aceitável, como coloquei no início do texto. Aqui o problema não são apenas garotos, patricinhas da escola, bullying e etc, temas comuns abordados em livros para os jovens. O que o fez ganhar pontos. No entanto, achei que foi tudo muito rápido, poderia ser mais trabalhado. Sendo controversa, porém, se a autora se estendesse mais e fosse mais descritiva, poderia perder a atenção do público. Por isso não tirei pontos.

É um livro interessante, rápido de ler e com um tema importante. A edição é super bonita, não encontrei erros que chamassem a atenção e babei na diagramação. Os últimos livros da Novo Conceito estão detonando neste quesito. Fiquei em dúvida em quantas estrelas dar, no Skoob só posso dar inteirar e dei três, mas ele merece mais, só que não chega a quatro. Então dou 3,7.

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Beijos e um ótimo feriadão!

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