Melancia – Marian Keyes

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O começo foi duro, parecia se arrastar. Eu lia, lia, lia e não saía do lugar. Muita depressão em um livro só. Mas não se pode culpar uma mulher de ficar muito depressiva quando recebe, logo após dar à luz, a notícia de que seu marido a trai com a vizinha do andar de baixo há seis meses e que a partir daquele momento ele a está deixando, não é? Pobre Claire, quando sua vida parecia caminhar para a perfeição, com um esposo maravilhoso e agora uma linda filha, tudo vem abaixo. E que cara de pau a de James, não pôde esperar nem a alta de Claire do hospital para lhe dar a notícia. Segundo ele, se fosse para casa com as duas, a esposa e a filha, não teria coragem de deixá-las, então deve ter sido muito mais fácil largar as duas logo no hospital, sem rumo. Não fosse pela ajuda de Judy, grande amiga, Claire estaria desolada e sozinha, acredito que ainda lá no hospital.
Após esse baque tremendo em sua vida, Claire sai de Londres e volta para o lar dos pais, em Dublin, Irlanda. Nada melhor que o colo deles para ajudar a diminuir a dor que a corrói por dentro. E mesmo lá, não foi nada, absolutamente nada fácil. Abandonada, com o corpo parecendo uma melancia, uma filha recém-nascida para criar, e todo um sentimento de fraqueza, de não ser suficientemente boa para aquele canalha, Claire só podia enlouquecer (além de enlouquecer a sua família com sua ira rabugenta).
Foram dias sem banho, sem trocar de roupa, sem colocar o pé na rua, regados a bebedeiras e muito, mas muito choro. Essa é a parte mais difícil do livro, porém, quando Claire se toca de que não pode continuar assim e decide levantar do chão, tudo fica melhor, sua vida e a nossa leitura pelo menos para mim. Sem falar quando surge o todo poderoso Adam, lindo de morrer, praticamente um deus, que deixa todas as mulheres coradas. A partir daí, não é possível largar o livro, ou pelo menos, você não quer largá-lo, mas realmente precisa cuidar da casa, dormir, etc.
Adam e Claire são ótimos juntos, apesar de todas as briguinhas. A irmã de Claire, Helen, é uma figuraça, ri muito com ela, e alto. Assim como Hanna, que é toda mística e que acredita nas coisas do além. A família toda é engraçada e bem peculiar. E a melhor parte de todas é quando James reaparece, querendo Claire de volta. Não é muita cara-de-pau?? Queria dar umas bolachas nele. Mas Claire tinha que pensar na pequena Kate, ah, esse fora o nome que ela escolheu para sua filha, uma homenagem à sua avó. E foi quando ela decidiu conversar com James, que ele veio com mais uma sacanagem. Mas o que era dele estava guardado. E você vai descobrir o que, quando ler! ;)
Separei duas passagens do livro que achei muito legais:
“Eu detestava aquela história de ser adulta. Detestava tomar decisões quando não sabia o que haveria escondido por trás da situação. Desejava um mundo onde as coisas boas e as más tivessem rótulos claros. Onde a música sinistra começasse a tocar no instante em que o vilão aparece na tela, de modo a não se poder confundí-lo com o mocinho.”
“Às vezes, você conhece uma pessoa maravilhosa, mas apenas por um rápido instante. Talvez em férias, num trem ou até numa fila de ônibus. E essa pessoa toca sua vida por um momento, mas de uma maneira especial. E, em vez de lamentar o fato de ela não poder ficar com você por mais tempo ou por você não ter a oportunidade de conhecê-la melhor, não é mais sensato ficar satisfeito por ter chegado a conhecê-la um dia?”
Adorei a narrativa de Marian, foi o primeiro livro dela que li e já estou de olho nos outros que meu esposo não saiba.
Marian_Keyes247 A autora, Marian Keyes
Livros de Marian publicados no Brasil:
  • Férias (Rachel's Holiday) - 2004
  • Sushi (Sushi for Beginners) - 2004
  • Casório (Lucy Sullivan is getting married) - 2005
  • É Agora... ou Nunca (Last Chance Saloon) - 2006
  • Los Angeles (Los Angeles) - 2007
  • Um Best Seller pra Chamar de Meu (The Other Side of the Story) - 2008
  • Tem Alguém Aí? (Anybody Out There?) - 2009

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