Comer, rezar, amar

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Ler Comer, rezar, amar de Elizabeth Gilbert me fez conhecer mais uma característica de minhas leituras: muito drama me trava. Não gosto de ficar lendo “ah, estou separada o que vou fazer da minha vida” ou “não sou boa o suficiente” ou qualquer lamentação desse tipo. Claro que uma ou outra isoladamente não fazem mal nenhum a um livro, mas em excesso não funciona para mim. E creio que por isso eu levei cerca de três semanas para conseguir concluir a leitura deste livro. Ele não é ruim, que fique claro, mas não é o tipo de livro que eu leia em uma “sentada”, como já comentei por aqui antes. Tenho que confessar que cometi uma infração, nunca antes feita, na leitura deste livro: pulei cerca de 20 páginas na parte da Índia. Já explico.

Como muitos já devem saber, Comer, rezar, amar é o relato de Liz (a íntima), uma escritora talentosa que passou por uma tempestade em sua vida. Após um casamento fracassado e um período de divórcio cansativo e doloroso, além do fim de um romance vai-e-volta com David, sua possível alma gêmea, Liz decide tirar um ano de folga, viajando por três países diferentes e buscando algo especial em cada um. Então, o livro é dividido em três partes, relatando tudo que ela passou nesse ano.

O primeiro lugar foi a linda e deliciosa Itália. A parte que mais gostei do livro, já que conhecia lugares, comidas e traços deste país que sonho um dia conhecer. Acompanhando a saga de Liz para aprender o idioma, fiquei com saudade de minhas aulas de italiano e com muita vontade de retomá-las, fico devendo isso à leitura do livro – ponto para ele. A parte mais engraçada neste período da vida de Liz foi o espanto dela em perceber que em vez de procurar pelos belos lugares das cidades Itália afora, ela procurava pela melhor comida de cada lugar. O que a levou a ganhar alguns quilinhos – me preocupo se não ganhei com ela, era cada coisa que dava água na boca e como não pago imposto para engordar devo ter ganhado peso só de imaginar as deliciosas comidas italianas.

Seria ótimo se intercalado com os períodos incríveis no país, não houvesse aqueles relatos excessivos da vida sofrida da protagonista antes dali, de suas noites chorosas no banheiro de casa, de seu sofrimento ao ver que o casamento não tinha conserto, etc, etc, etc. Mas compreendo que por ser uma história real e por ela querer passar aos outros tudo que aprendeu, esse sofrimento precisasse estar no livro.

Então chegamos à Índia. Lugar reservado por Liz para meditação e procura por Deus. Adoro conhecer coisas novas, culturas, costumes e tal, o que deveria deixar essa parte atrativa, mas ela foi penosa para mim. Muito drama, muito sofrimento, blasblasblas e foi aqui que cometi a infração de que me envergonho, mas que confesso, faria novamente. A única parte boa foi a amizade de Liz com Richard do Texas, um cara muito bacana, mas que não sei como pôde aturá-la. Sinceramente.

Então chegamos à Indonésia, mais precisamente Bali. Esse local foi escolhido para o fim da jornada porque Liz já estivera ali antes e um xamã a revelou que ela voltaria, viveria com ele, entre outras coisas que não vou contar. Mais uma vez a história é salva pelos amigos que Liz faz. Ketut, o tal xamã, é incrível, engraçado, sábio e acima de tudo uma pessoa interessantíssima. E Wayan, uma curandeira que teve a coragem de abandonar o marido e lutar pela filha, numa sociedade que é totalmente patriarcal. Além disso, a mulher foi capaz de, mesmo com pouco dinheiro, tirar duas irmãs pequenas da rua e criá-las com dificuldade. Também gostei muito de Felipe, o brasileiro amável e super carinhoso.

Enfim, o livro é bom, não é excelente nem excepcional, pelo menos para mim. Gostei de lê-lo, matei minha curiosidade e agora posso ver o filme sem remorso. Ele não funcionou para mim, mas a leitura pode ser diferente para você, lembre-se sempre disso.

PS: Obrigada Geisi por me emprestar seu livro! ♥

Beijos e ótima terça!

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