Água para Elefantes

Livro de Sara Gruen.

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Não se apaixonar por Jacob Jankowski é uma tarefa quase impossível, seja pelo belo e ingênuo jovem ou pelo senhorzinho de 93 anos, que é simplesmente encantador. Tenho uma admiração imensa por alguns velhinhos, pela bagagem que eles trazem, por todos os obstáculos que venceram e pela lição que aprenderam quando foram derrotados. Em Água para Elefantes somos levados para um passado pouco glamoroso, cheio de pedras no caminho e mergulhamos nele através das lembranças de Jacob, nosso protagonista.

A idade é um ladrão terrível. Justamente quando se começa a entender melhor a vida, a idade nocauteia suas pernas e arqueia suas costas. Página 15

As partes que eu mais gostei no livro foram essas, com o Jacob velho. Um senhor que após a morte da esposa foi morar em uma casa de repouso. Nenhum dos cinco filhos o levou para morar com eles e naquele lugar em que tudo era insosso, que o tratavam como um objeto sem vontade, ele teve que voltar às lembranças guardadas bem no fundo, quase que como um segredo. Um circo havia se instalado bem ao lado da casa de repouso e causado um verdadeiro furor nos moradores do local. Mal sabiam eles que um pedacinho da história deste mundo espetacular estava ali ao ladinho deles o tempo todo.

A vida é engraçada. Sabe ser cruel. Em apenas alguns segundos dá uma reviravolta e leva tudo ao chão. A base de Jacob, um jovem de 23 anos, que tinha tudo para ter um futuro brilhante como Médico Veterinário ao lado do pai, ruiu em um espaço curto de tempo. A notícia da morte de seus pais abalou completamente sua vida. Como um efeito dominó, aquele acidente terrível acarretou em outros empecilhos na vida de Jacob. Seus pais hipotecaram a casa para terminar de pagar seus estudos e com a morte deles, tudo que os pertencia passou a ser do banco com o qual tinham as dívidas. Jacob ficou sem nada. Sem família, sem chão, sem rumo e assim partiu, caminhando, tentando achar uma solução para sua vida. Quando se deu conta, estava com bolhas nos pés e completamente perdido, à mercê de coiotes na noite fria. A aproximação de um trem trouxe ao jovem uma ponta de esperança, de pelo menos chegar até uma cidade. Não sabia ele que subir naquele trem mudaria totalmente o rumo de sua vida, como parte daquele efeito dominó.

O trem pertencia ao Circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra. E Jacob agora fazia parte dele, cuidando dos animais. Lá sofreu nas mãos de Tio Al, o dono do circo, e de August, um cara extremamente difícil de lidar, ora gentil, ora insano. Mas também fez amizades e, acima de tudo, se apaixonou. Aliás, paixão é uma das palavras-chave desse livro. Além de Jacob, outros seres espetaculares ganham nosso sentimento, entre eles a fantástica elefanta Rosie.

Apesar de parecer encantador e glamoroso para quem vê de fora, o mundo do circo pode ser aterrorizante. Jacob passou por muita coisa, enfrentou situações difíceis, sem falar no fato de se apaixonar pela mulher do seu chefe. Os animais eram um refúgio, onde ele podia exercer tudo que aprendeu na faculdade. No entanto, o circo era um lugar onde não podia se impor, qualquer divergência com os superiores podia gerar uma “queda” do trem. Mas ninguém consegue suportar por muito tempo, nem os trabalhadores tratados como lixo, nem mesmo os animais, protagonistas das partes mais chocantes de todo o livro, quando sofrem com maus tratos, de doer o coração.

Mesmo com tudo de ruim que passou enquanto viveu naquele circo, Jacob soube amadurecer e aproveitar as oportunidades. Soube usar as pedras para construir seu castelo, como diz aquela frase muito usada. E o final, gente, o final é lindo, incrível, fofíssimo. Valeu o livro todo. A obra de Sara Gruen é muito bem escrita, claro que tem uma coisinha aqui ou ali, mas no geral é um livro bem feito, bem pesquisado e com personagens que sabem cativar.

Beijos!

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