Anna e o Beijo Francês

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O cenário é um dos mais lindos do mundo, o idioma também. Mas Anna não estava contente em se mudar para Paris. É meio difícil de imaginar – principalmente para os mais adultos – que alguém não queira morar nessa cidade incrível, cheia de história por todos os lados, com monumentos de fazer ficar difícil respirar. Mas para uma garota de 17 anos, que vive com a mãe e o irmão, que tem amigos e uma vida escolar, digamos normal, a mudança é um baque e tanto. Minha primeira reação foi pensar que a Anna foi estúpida de ficar emburrada por ir morar em Paris, mas depois da discussão no Clube do Livro eu vi que ela tinha certa razão. Afinal, com essa idade, quem quer ir para um lugar completamente diferente ao que está acostumado, com uma língua que não é a sua e com pessoas que nunca viu na vida? Dá um certo medo mesmo.

Anna Oliphant morava em Atlanta, foi namorada de um amigo e estava apaixonada por um colega de trabalho. Ela e sua melhor amiga, Bridge, eram inseparáveis, colecionavam objetos que lembravam o nome uma da outra, como pontes e bananas. Mas essa vida vai ficar para trás, o pai de Anna, um escritor que muito lembra Nicholas Sparks na descrição, decide mandá-la para um colégio interno em Paris. E ela amaldiçoa o pai por isso.

Na primeira noite ela chora, está sozinha, não conhece ninguém. Mas uma boa alma vem acudi-la. Meredith, que mora no quarto ao lado do seu, foi a primeira amizade que Anna fez na Cidade Luz. E graças à Meredith, Anna também conheceu Rashimi, Josh e St. Clair, o garoto que todos (e todas) amavam, pelo menos na escola. Porque no Clube do Livro as opiniões foram bem divergentes sobre ele, um bobão, burro e por aí vai.

O fato é que Anna se apaixona por St. Clair e ele por ela, mas ele tem uma namorada e não toma nenhuma atitude para mudar essa situação. Anna não quer ser uma traidora – o que é meio difícil, ela está apaixonada por um cara que tem namorada e por quem sua amiga também nutre uma paixão. Mais do que a paixão, a amizade entre St. Clair e Anna é incrível. Os dois têm uma química descomunal, uma cumplicidade que é de fazer inveja. Mas são dois boca abertas, como praticamente a idade exige. Não é regra, mas na adolescência muitas pessoas são assim, ficam com o pé atrás, não se revelam, mas ficam se remoendo por dentro. Até que tem uma hora que explodem, seja falando a verdade, seja mostrando-a (em público, na frente de muitas pessoas).

A trama de Stephanie Perkins mostra o ambiente escolar daqueles que estudam longe dos pais. Trata de medos, experiências, burradas, conhecimento, traição, amizade, tudo em uma época em que muitas reações são exageradas, a adolescência.

Eu estava com a expectativa nas alturas sobre a trama do livro, confesso que esperava mais, tanto da descrição dos lugares de Paris – que foi excelente, mas eu queria mais –, quanto da paixão de Anna e St. Clair. Esperava suspirar mais, embora tenha suspirado algumas vezes, sem falar que voltei para a minha adolescência, torcendo e dando gritinhos em certas situações. Amei o capítulo do livro que se passa nas férias e é relatado todo por e-mails entre o casal protagonista, fofo ao extremo.

Aliás, fofo é uma palavra que define bem o livro. Ele não é uma obra-prima, é um romance água com açúcar, digno de Sessão da Tarde – como foi comentado no Clube –, mas um bom passatempo. Um livro leve, com uma escrita que flui muito bem – parabéns Stephanie – e com protagonistas que não deixam a mesma impressão para os leitores – já que uns gostaram e outros não. Ah, e existem muitas frases fofas nele também, como a que é mais compartilhada:

É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar?

Um incômodo que o pessoal do Clube do Livro notou foram os erros de tradução, que deixavam frases sem nexo, alguns erros de digitação e revisão. Eu estava tão absorta na estória que mal notei. Só depois de comentarem que lembrei de algumas situações.

Minha nota foi 9,5  e a média no Clube foi de 8,02.

DSC_2015 Foto oficial do mês de setembro do Clube do Livro de Tubarão/SC.

Beijos!

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