Amores Incertos

100119_w300 O livro da Roberta Polito foi o último deste ano que discutimos no Clube do Livro. E mais uma vez, a discussão do Clube me fez enxergar coisas que eu não tinha me dado conta durante a leitura do livro. Ele tinha sido considerado um bom livro, mas depois de analisar tudo que foi posto em pauta, ele foi rebaixado para regular. Vou explicar.

Em Amores Incertos a autora criou uma trama sobre relacionamentos. Marina, Eduardo e Liz tiveram suas histórias ligadas. Há 11 anos Eduardo esteve em Florença e conheceu Liz, o romance dos dois foi arrebatador. Mas ele voltou ao Brasil e teve um revival com sua ex-namorada, Marina. Desse encontro nasceu Pedrinho e o casal decidiu criar o filho juntos.  11 anos depois da viagem de Edu, é a vez de Marina viajar à Florença para fazer um curso e é a vez dela mexer com alguém. Seu professor, Luca Bérgamo, cai de quatro por ela, que é firme e não dá abertura. Acontece que durante esta viagem, Edu reencontra Liz no Brasil e fica mexido, afinal o que tiveram no passado só deixou boas lembranças. Enquanto Liz coloca na cabeça que desta vez não vai deixar Edu escapar, ele vai ser dela.

Primeiro, vou comentar as partes boas do livro. A capa é linda, simples e muito bem feita. Foi o que chamou a atenção da Bel na hora de indicar o livro. Tambem adorei a profissão da Marina, ela é arteterapeuta, super interessante. E o que dizer das descrições das mais românticas cidades da Europa, principalmente da Itália, e suas obras de arte? Algumas festas e tradições familiares italianas também tiveram espaço no livro e foram bem legais. Com certeza o livro ganha pontos por isso. A trama inicial também foi boa, inclusive, algo que gostei muito foi a alternância na narração entre dois personagens, assim era possível conhecer o lado de cada pessoa e ficar curiosa com a identidade da segunda. O final me surpreendeu, mas eu ainda não sei se isso é bom ou ruim.

Falando em ruim, a primeira coisa que me incomodou, independente da discussão do Clube, foi que o texto não é justificado e vocês não têm noção de como isso atrapalha, sem falar que parece desleixo, sei lá. Segundo, a trama até que começa bem, mas depois desanda, ficando idêntica a uma novela – capaz de ser até mexicana - e seus clichês. Os personagens, como comentou a Cíntia, são planos e bem diferentes da vida real. Sim, eu sei que é ficção, mas não foi convincente.

Começamos por Marina. Ela é a típica boazinha, nada a abala, ela não sente raiva é sempre aquilo ali. E para mim, ela não lutou nem um pouco por seu amor, simplesmente aceitou o que aconteceu, sem tomar nenhuma atitude.

Edu é o cara mais boca aberta da face da terra, como assim ele deixa uma mulher do passado, que não vê há 11 anos, manipulá-lo daquele jeito? Cabeça fraquíssima. Outra coisa, a mulher sugere que sua esposa tem um caso e você simplesmente aceita como verdade? Não conversa em casa, não busca uma solução, simplesmente se separa? Como disse a Bruna, isso parece mais coisa de adolescente. E o filho? Não valia a pena conversar, tentar colocar as coisas em pratos limpos por ele?

Liz é uma pessoa obssessiva, claramente tem problemas. Ela se apega a um passado maravilhoso e quer aquela sensação de volta. Mas só se toca disso quando vê Edu. Porque vamos combinar, se ela fosse paranóica, obcecada por ele, não teria ficado 11 anos sem dar sinal, ela o seguiria e faria jus à maluquice dela.

Luca é fofo, um cavalheiro, apaixonante. Mas também tem seus defeitos. Que falta de noção é esta de dar em cima de uma mulher casada que já te deu um fora? Bom, mas não podemos dizer que a insistência dele não deu certo, né? Porque quando o casamento de Marina ruiu para onde ela foi? Florença, fazer mais um curso com Luca. Aham.

As partes de novela mexicana ficam com as cenas que não podem ter explicação. Liz e Edu estavam em Paris, ela escondeu a carteira dele para que o cara não pudesse ir atrás da ex-mulher que estava ali do ladinho, em Florença. Enquanto isso, ela vai atrás de Marina e como em um passe de mágica ela aparece onde Marina, sua mãe e Pedrinho estão hospedados, cria uma relação com Pedrinho e sequestra Marina. Como num passe de mágica também, Edu surge na Itália, sem carteira, sem documentos, descobre o hotel – que deve ser o único da cidade, só pode -  e o lugar para onde Liz levou Marina.

Outra coisa que incomodou foi Vitor, um paciente de Marina que se mostrou bastante problemático. Ele parecia uma ameaça iminente e foi totalmente esquecido, poderia render muito mais na trama e teve um fim bem bobo.

Alguma coisa no meio do enredo desandou e fez com que o livro ficasse assim, confuso, sendo que poderia ter um resultado muito melhor – nem preciso dizer que esta é a minha opinião, né? -. O que não posso negar é que o livro consegue passar uma mensagem – que não sei se é a que ele queria, mas, como li no blog da Amanda, Cotidiano e História:

Um ponto interessante do livro foi mostrar o quanto uma terceira pessoa pode balançar um relacionamento se este não conta com uma boa base.

Minha nota foi 7,0, porque sou boazinha e a média do Clube foi 5,5.

Beijos e boa terça-feira.

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