Marina

marina - capa Meu primeiro livro do ano foi também o meu primeiro lido de Carlos Ruiz Zafón. Enquanto lia e era fisgada a cada frase lida, pensava em como podia não ter lido nada do autor antes. Sua escrita é esplendorosa, enche os olhos e a mente. O que só me fez querer mais de Zafón. Sei, pelo que ando lendo pela blogosfera, que esta obra em questão não é o melhor trabalho do autor, então imagino que as que eu ainda não li vão me cativar ainda mais.

Em Marina o cenário é uma Barcelona do fim da década de 1970, um pouco sombria, fria e gótica. Nela vive o jovem de 15 anos Óscar Drai, que, segundo suas palavras, “mofava em um internato com nome de santo”. A parte preferida do dia de Óscar era quando batia o sinal para o fim das aulas e ele tinha algumas horas livres – que deveriam ser destinadas a estudo, mas que ele usava para desbravar as ruas de Barcelona, dando um jeitinho de sair despercebido.

[…] Barcelona era uma miragem de avenidas e becos, onde, só de cruzar a soleira de uma portaria ou de um café, uma pessoa poderia viajar para trinta ou quarenta anos antes. Página 9

Em uma de suas andanças, Óscar fica fascinado com uma voz que vem de uma mansão que parece abandonada. Ele fica hipnotizado com o som e sem se dar conta do que fazia, entrou na casa. Vislumbrou um relógio antigo e ao mexer nele se assustou com a figura que levantou de uma poltrona. Óscar fez a única coisa que pensou ser certa na hora: correu.

Já na segurança do internato ele viu que entre os dedos estava o relógio, ele havia roubado a casa. Seu ato ficou pesando na consciência e ele decidiu devolver o relógio a seu dono. Foi quando conheceu a destemida Marina.

Meu olhar subiu por aquele vestido que parecia saído de um quadro de Sorolla e foi parar num par de olhos de um cinza tão profundo que alguém poderia cair lá dentro. Estavam cravados em mim com olhar sarcástico. Sorri e ofereci minha melhor cara de idiota. Página 17

Marina era filha do dono do relógio, Germán, que recebeu Óscar muito bem em sua casa. A ligação do jovem com pai e filha foi instantânea e dali nasceu uma relação linda de amizade. Marina e Germán foram presenças constantes na vida de Óscar e vice-versa. Eles se completavam e supriam a necessidade de companhia que tinham.

Ela se virou e sorriu. Marina tinha um jeito de sorrir que fazia com que me sentisse pequeno e insignificante. Página 107

Em uma tarde, Marina leva Óscar ao cemitério de Sarriá, um dos lugares mais escondidos de Barcelona, que ele pensou nem existir. Lá ambos foram sugados para um mistério inacreditável, que eles foram até o fim para desvendar.

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A trama criada por Zafón começa com suspense total e vai se transformando em drama, que me deixou cheia de lágrimas. O suspense é bastante ficcional, tanto que é praticamente impossível acreditar nele. É uma ficção bem doida mesmo, mas com todo um significado, inexplicável, mas ainda assim com um significado.

Os personagens são extremamente cativantes, principalmente Marina, que me conquistou desde sua primeira aparição. Forte, corajosa, praticamente inabalável e com um coração puro. Teve uma vida sofrida, mas nem por isso se deixa abater. Busca nas aventuras com Óscar, desviar-se um pouco de seus próprios problemas. Germán também é incrível. E Óscar é um protagonista que você quer proteger, apesar de ter a mesma idade que Marina, parece ser bem mais frágil que ela.

A capa é linda e retrata bem o título, afinal, a estória é sobre Marina. Aquela menina com olhos profundos e encantadores. A leitura é rápida, afinal você quer desvendar o mistério tanto quanto  o casal de protagonistas e mesmo com a pitada de inacreditável, o livro é muito bom. Espero poder me jogar novamente nos textos de Zafón em breve.

Frases:

A juventude é uma namorada caprichosa, que a gente não entende nem valoriza até o dia que ela vai embora com outro, para nunca mais voltar.  Página 108

Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação […] A gente só se lembra do que nunca aconteceu. Página 68

[…] Cedo ou tarde o oceano do tempo nos devolve as lembranças que enterramos nele. Página 8

desafio de ferias[3]Este livro faz parte do Desafio Literário de Férias e também é uma das minhas leituras de férias para o Clube do Livro! 

Beijos e uma ótima terça-feira!

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