Carrie, a estranha

2938851 O livro de Stephen King foi escolhido no Clube do Livro na categoria Adaptado para o cinema. Até então eu só tinha visto o filme e há muito tempo, mas ainda lembrava de detalhes. Estava doida para começar e ficar aterrorizada com a história de Carrie, fiquei mesmo. Só que não no sentido de medo, e sim, com todas as situações que a jovem passou. Era bullyng na escola por não se encaixar como as outras meninas, era maus tratos em casa por conta de uma mãe louca e preconceito por toda a parte.

Carrietta White era mesmo diferente. Não se cuidava e tinha uma aparência nada agradável, com espinhas e um cabelo mal cuidado, sem contar as roupas, que eram largas e compridas. O patinho feio da Thomas Ewen High School, em Chamberlain, no Maine. Carrie era ingênua, não tinha acesso a informações e muito menos uma mãe “normal” – se é que existem pessoas normais – para ajudá-la. Carrie sempre foi zoada, motivo de chacota, mas a gota d’água ocorreu no vestiário da escola, quando ela menstruou pela primeira vez e entrou em pânico, achando que estava sofrendo uma hemorragia. As outras meninas, obviamente, riram dela e foram além, lideradas por Chris Hargensen, jogaram absorventes na garota, mandaram-na enfiá-lo lá e riram muito, enquanto Carrie chorava. Até que a professora de Educação Física chegou e acabou com a cena. A senhorita Desjardin não acreditava que Carrie não soubesse o que havia acontecido com ela e sentiu uma ponta de nojo de toda a situação, ainda assim, ajudou a garota.

Ou achou que ajudou, pois ao mandá-la para casa e avisar sua mãe do ocorrido, ela só mandou Carrie para a toca do leão. Para sua mãe, menstruar significa que Carrie tem maldade dentro dela, que ela é amaldiçoada por pensamentos pecaminosos e, como castigo, Carrie tem que ficar em um quarto, trancada, sozinha. A mãe de Carrie é uma personagem extremamente difícil. É uma fanática religiosa, que diz ter feito sexo apenas uma ou duas vezes com o marido, e como penitência teve Carrie. Ela é simplesmente odiável, uma maluca sem coração, psicopata. Não é a toa que Carrie também seja perturbada, sendo criada por uma mulher assim. Carrie, por outro lado, é educada, gentil e tem um talento incrível para costura, mesmo que sua mãe só a deixe fazer aquelas roupas feias e largas. Uma garota que tinha potencial, caso não tivesse sido criada naquele lar.

Voltando ao incidente da escola. A professora Desjardins ficou indignada com as meninas e foi buscar uma punição à altura para elas. As estudantes, com o aval do diretor, ficam sob supervisão da rígida professora de ginástica, que as monitora. Mas Chris se acha melhor que os outros, sempre se achou, e se nega a ir para a detenção, então ela é suspensa e barrada de ir ao baile da escola. No entanto, ela não desiste. Seu pai é rico, um imponente advogado, e tenta intimidar o diretor para que ele deixe Chris ir à festa. Mas o diretor é firme e gostei muito dele nessa hora.

Sue Snell é a única menina do grupo que atacou Carrie que realmente se sente culpada por tudo que ocorreu. Como não vai ao baile, ela toma uma decisão. Pede para o seu namorado, Tommy, um dos caras que arrasam corações na escola, para que convide Carrie para o baile. Ele acha muito estranho, mas como ama Sue, aceita. Carrie fica encantada com o pedido e vê aí sua chance de mudar. Ela compra um tecido bonito e começa a costurar um vestido para o dia. Tudo escondida da mãe, que não aceita que sua filha saia com um rapaz.

Durante esse período Carrie descobre seu poder de telecinese, ela lembra de situações do passado e comprova seus poderes. Sua mãe a considera uma bruxa e o comportamento de Carrie deixa de ser submisso. Ela enfrenta a mãe, diz que vai ao baile, que vai com o vestido vermelho que costurou e pronto. Já Chris, que está possessa por seu castigo, planeja sua própria vingança. Carrie terá o que merece, de acordo com ela, na noite do baile. E essa vingança muda a vida de cada um dos habitantes da cidadezinha. Carrie é poderosa e não sabia o quanto, ninguém sabia. Esse foi o pecado de todos. Muitos sabem todo o desenrolar da história, mas não quero estragar para quem não leu ou não viu o filme. Então, paro por aqui.

O livro é incrível. Stephen King usa documentos ficcionais, como partes de livros, notícias e transcritos, apenas para deixar a história mais real. Confesso que enquanto lia ficava me perguntando se aquilo tudo tinha mesmo acontecido tamanha a realidade passada por esses trechos. Tive pena de Carrie e senti uma pontinha de orgulho quando ela se vinga das pessoas, mas nem todas mereciam. Essa parte me deixou em êxtase, tinha muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

Pensei que sentiria muito medo, mas não. Foi bem tranquilo para ler, talvez porque hoje em dia estejamos acostumados a tanta barbaridade que as coisas do livro nem choquem mais, mas na época em que foi escrito, garanto que muita gente se arrepiou. Recomendo!

Curiosidades

  • Carrie foi o primeiro livro de Stephen King, publicado em 1974.
  • King comenta que acha que esse livro é cru e com um surpreendente poder de machucar e horrorizar.
  • É um dos livros mais banidos nas escolas dos Estados Unidos e o filme foi banido na Finlândia.
  • Foi adaptado para o cinema por Brian de Palma em 1976, estrelando Sissy Spacek. Em 1999, veio a sequência do primeiro filme The Rage: Carrie 2.
  • King escreveu Carrie, mas não gostou do resultado, portanto jogou tudo no lixo. Sua esposa pegou o manuscrito no lixo, leu e adorou. Foi ela quem fez King levar o livro até um editor que decidiu publicá-lo. O livro foi um enorme sucesso e alçou King da pobreza e obscuridade à riqueza e fama
  • O clássico já fora adaptado para um musical, na Broadway, em 1988.
  • A série humorística Todo mundo odeia o Chris fez uma piada com o livro em um episódio intitulado todo mundo odeia o baile. Nele, Chris convida uma garota chamada Carrie para o baile, mas ele desmancha o convite dias depois por se irritar com as piadas racistas. Assim que ele desmancha o convite e os dois brigam, o narrador Chris Rock diz: "Depois eu vou fazer pior: jogar um balde de sangue em cima dela!", uma óbvia referência ao capítulo do baile de formatura de Carrie White.
  • Um novo remake de Carrie está previsto para 2013. A produção será protagonizada pela jovem Chloë Moretz (“Kick-Ass”). O novo filme é dirigido por Kimberly Pierce (“Meninos Não Choram”) e foi roteirizado por Roberto Aguirre-Sacasa, co-produtor da série “Glee”. No elenco, estão ainda Julianne Moore (“Amor a Toda Prova”), que viverá a mãe de Carrie, além de Alex Russell (“Poder sem Limites”) e Megan Hilty (série “Smash”). As filmagens estão programadas para o segundo semestre, com lançamento em 15 de março. Fonte.

Beijos!

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