Dom Casmurro

domMinha capa é assim, mas não está no novo acordo ortográfico. 

Machado de Assis é considerado um dos maiores nomes da literatura nacional, com certeza merece o título. Dono de uma escrita envolvente, com pitadas de sarcasmo, comédia, romance e mistério, o autor ganha fãs até hoje. Um de seus livros mais comentados, conhecidos, explorados, é Dom Casmurro, livro escolhido na categoria Clássico no Clube do Livro.

A história de Bentinho e Capitu é conhecida até mesmo por aqueles que nunca chegaram perto do livro de Machadão. Bento Santiago é o narrador dessa trama, de sua própria história. Conhecemos seu passado, desde sua juventude, até os dias em que escreve o livro. Bentinho, como era chamado por todos, deveria ser padre, tudo por conta de uma promessa que sua mãe fez quando ele nasceu, mas o que o garoto queria não estava em um seminário, estava na casa ao lado: Capitu, com seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada.

Os dois cresceram juntos e até a adolescência se viam como grandes amigos. Até que Bentinho escutou José Dias, um agregado de sua família, comentar sobre como os dois se comportavam e como a mãe dele devia mandá-lo logo ao seminário antes que ele pegasse de namoro com a vizinha. Essas afirmações fizeram Bentinho pensar e constatar que gostava mesmo de Capitu. E ela, bem, ela também gostava dele. A revelação veio com um rabisco no muro: Bento e Capitolina. Bentinho era amado e amava.

Os olhos continuaram a dizer coisas ínfimas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham… Página 29

Aí começou a empreitada de Bentinho de convencer a mãe a não mandá-lo para o seminário, tudo com a ajuda de Capitu. Ele não conseguiu fugir, muito menos ficou sem Capitu. Bentinho foi ao seminário, lá conheceu seu melhor amigo, Ezequiel de Sousa Escobar, filho de um advogado de Curitiba. Mas não concluiu os estudos, largou o seminário e passou a estudar direito em São Paulo, enquanto Escobar se tornou um comerciante bem sucedido e se casou com Sancha, melhor amiga de Capitu.

Enfim, em 1865, Capitu e Bentinho também se casaram. E o quarteto se tornou inseparável, mantendo a amizade de tanto tempo. Sancha e Escobar tiveram uma filha e deram à ela o nome de Capitolina, enquanto Bentinho e sua esposa deram a seu filho o nome de Ezequiel. Achei fofo! Só não é fofo quando Bentinho começa a pirar e desconfiar que Capitu o traía com Escobar.

Aliás, essa é a grande questão do livro, a dúvida que ninguém consegue responder. Machado de Assis escreveu o livro de forma tão brilhante que não há como ter certeza se Capitu traiu Bentinho ou não. Como disse a Cíntia na reunião do Clube, existe uma lista imensa de itens que afirmam que ela traiu, mas há uma lista idêntica com as “provas” de que a traição não ocorreu. Fica a cargo do leitor acreditar nos olhos de ressaca de Capitu ou no cismado Bentinho. Eu acredito que não houve traição, prefiro acreditar no amor que sentiam desde crianças.

Dom Casmurro é uma leitura divertida, apesar do drama sobre a traição, principalmente pela presença da ironia do narrador e da interatividade com o leitor. Genial. Com as leitoras, o narrador era cordial e respeitoso, já com os leitores, nem tanto, ri muito quando em um trecho ele chamou o leitor de desgraçado.

Juramos novamente que havíamos de casar um com o outro e não foi só o aperto de mão que selou o contrato, como no quintal, foi a conjunção das nossas bocas amorosas … […] Quanto ao selo, Deus como fez as mãos limpas, assim fez os lábios limpos e a malícia está antes na tua cabeça perversa que na daquele casal adolescente. Página 85

Apesar de não ter me prendido como eu gostaria - minha versão do livro não era das melhores – e de ter levado mais tempo que o esperado, aproveitei muito a leitura e fui completamente envolvida pelos personagens. Adorei Bentinho e seu modo de contar sua história, apesar de ele ter se tornado um lunático em certas partes.

Curiosidades

  • Ao longo dos anos, Dom Casmurro, com seus temas como o ciúme, a ambiguidade de Capitu, o retrato moral da época e o caráter do narrador, recebeu inúmeros estudos, adaptações para outras mídias e sofreu inúmeras interpretações, desde psicológicas e psicanalíticas na crítica literária dos anos 30 e dos anos 40, passando pelo feminismo na década de 1970 até sociológicas da década de 1980, e adiante.
  • Creditado como um precursor do Modernismo e de ideias posteriormente escritas por Sigmund Freud, o livro influenciou os escritores John Barth, Graciliano Ramos e Dalton Trevisan.
  • É considerado por alguns a obra-prima de Machado.
  • Dom Casmurro foi traduzido para o italiano, francês, espanhol, alemão, inglês, sueco, polonês, tcheco, romeno, servo-croata, entre outros.
  • Continua a ser um dos livros mais famosos de Machado de Assis e é considerado um dos mais fundamentais de toda a literatura brasileira.

Adaptações

As duas adaptações cinematográficas do romance diferem entre si. A primeira, Capitu (1968), dirigida por Paulo Cesar Saraceni, com roteiro de Paulo Emílio Sales Gomes e Lygia Fagundes Telles, e atuação de Isabella, Othon Bastos e Raul Cortez, é uma leitura fiel do livro, enquanto a mais recente, Dom (2003), dirigido por Moacyr Góes, com Marcos Palmeira e Maria Fernanda Cândido, mostra uma abordagem contemporânea sobre o ciúme nos relacionamentos.

 

A obra também ganhou importantes adaptações para o teatro, tais qual a peça Capitu (1999), com direção de Marcus Vinícius Faustini, premiada e elogiada pela Academia Brasileira de Letras, e Criador e Criatura: o Encontro de Machado e Capitu (2002), livre adaptação de Flávio Aguiar e Ariclê Perez, dirigido por Bibi Ferreira. Antes dessas duas produções, recebeu uma adaptação em ópera, intitulada Dom Casmurro, com libreto de Orlando Codá e música de Ronaldo Miranda, que estreou no Teatro Municipal de São Paulo em 1992.

 

Na música, Luiz Tatit compôs "Capitu", interpretada pela cantora Ná Ozzetti. Para a televisão, em 2008, em comemoração ao centenário de Machado de Assis, a Rede Globo realizou uma microssérie chamada Capitu, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, escrita por Euclydes Marinho, com Eliane Giardini, Maria Fernanda Cândido e Michel Melamed, entrelaçando elementos de época como figurinos com elementos modernos que vão desde a trilha sonora, com músicas da banda Beirut, até cenas onde eram mostrados osMP3s.

Fonte.

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capitu-serie Imagens da série Capitu.

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