A estrada da noite

a-estrada-da-noite O livro de Joe Hill foi o escolhido do mês de julho para o Clube do Livro. Eu pensei que ele daria um medinho, mas deu foi um medão! Até tive pesadelo com o cara que aparece no livro. A estrada da noite é uma obra sombria, realista e que te prende, suga e amedronta.

Judas Coyne é uma lenda do rock, que já está na casa dos cinquenta. Além de colecionar namoradas bem mais novas que ele, Jude também tem uma grande quantidade de objetos macabros, uns que ele ganha dos fãs e outros que ele mesmo compra.  Ele tem até uma fita com cenas reais de assassinato, uma doideira e  uma das razões por sua esposa tê-lo largado há tempos. Acontece que agora há um leilão na internet de um fantasma. Pensem nisso! O cara é doido e não faz uma oferta de, sei lá, 50 dólares, ele paga logo 1.000 e garante a compra do fantasma, que vem com o paletó do morto.

Tudo começa a ficar estranho quando o paletó chega. Seus cachorros agem como loucos, latindo e avançando no carro de entrega. O paletó é entregue em uma caixa preta com formato de coração e assim que sua atual namorada, Geórgia – chamada pelo nome do estado em que nasceu, assim como todas as outras –, coloca a mão no bendito, fura o dedo. A casa também começa a ficar fria. E à noite, bem, à noite é tenebrosa por si só, fica pior quando Jude vê um senhor sentado na cadeira perto da porta do seu quarto. Só pode ser o fantasma.

No dia seguinte ele liga para a pessoa de quem comprou o paletó e encontra do outro lado da linha uma mulher rancorosa, que o xinga de todos os palavrões possíveis e afirma que ele vai morrer. Então a ficha cai e ele percebe que não foi por acaso que o paletó apareceu para ele, tudo foi planejado. O fantasma é Craddock McDermott, padrasto de uma de suas ex, Flórida, e, aparentemente, só vai embora depois de conseguir sua vingança. Jude não entende a raiva da mulher, irmã de Anna, até que fica sabendo que a garota cometeu suicídio depois de ser abandonada por ele.

Jude até tenta ignorar, mas essa não é uma opção que ele tenha. Rádios falam com ele, e-mails aparecem com ameaças e até a TV diz que ele vai morrer. Decidido a dar uma volta nessa situação, Jude, Geórgia e os cães pegam a estrada. Jude tem outros fantasmas em sua vida, uma infância miserável na casa dos pais, sofrendo maus tratos do pai, depois a perda da esposa e ainda situações envolvendo seus antigos parceiros de banda. Tudo parece vir à tona agora e ele vai ter que buscar no passado uma forma de ter um futuro. Craddock não está para brincadeira e não poupa esforços.

O livro é intenso, muito bem escrito e bastante criativo. Lembra muito o estilo de Stephen King e adivinhem só, Joe é filho do mestre do terror. E a dedicatória de Joe é essa: “Para meu pai, um dos bons”. Confesso que houve algumas partes que foram mais cansativas, principalmente enquanto estavam na casa. Mas depois que pegam a estrada é uma aventura atrás da outra e o livro deslancha muito bem.

300px-dumas_pere6 Joe Hill

Uma das coisas que eu mais gostei foi que eu tive uma impressão no início do livro, uma justificativa para o que ocorreu e achei que seria só aquilo, mas o desenrolar não foi nada como eu pensei, não era o que parecia, havia situações escondidas e foi muito legal. Com o passar das cenas, aí sim, você vai moldando um fim, moldando um caminho de chegada, mas não é algo que você saiba de cara assim que começa o livro, pelo menos não foi assim comigo. O livro foi lançado em 2008 e em 2009 saiu uma notícia de que ele viraria filme, até diretor já tinha. Porém, até hoje não foi lançado e não encontrei nenhuma notícia atual sobre ele. O material é excelente para ir para as telonas.

Tenho outra confissão. Uma noite eu estava sozinha em casa, aí ouvi um barulho, fiquei com medo e não li mais o livro naquele dia. Pois é. Na reunião do Clube o livro foi bastante elogiado, ganhou notas boas e eu gostei muito. Foi uma experiência repleta de medo, suspense, tensão, aventura e que acabou de forma incrivelmente satisfatória, ganhando quatro estrelinhas de mim.

Lembrem-se: “Os mortos reclamam o que lhes pertence(...) Mais cedo ou mais tarde, reclamam o que lhes pertence”. #medo

Boa quinta-feira para todos!!! Beijos.

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