Antes que eu vá

antes que eu va de lauren oliver

Algumas coisas se tornam lindas quando você realmente olha. Página 261

Existem livros e livros. Há aqueles que mexem profundamente com você, os que fazem rir, sonhar, suspirar, se apaixonar e até amar. Assim como há os que não fazem diferença nenhuma, que não é o caso do livro de Lauren Oliver. Antes que eu vá é uma lição, um sacudidão, um alerta, principalmente para os mais jovens, que sempre estão descontentes com tudo na vida, que não dão valor para pequenas coisas e para o grande presente que é ter saúde, amigos, família, entre outras coisas.

Assim era Samantha Kingston. Uma garota que depois de um período sendo “ralé” na escola, agora faz parte do grupo das populares com Lindsay, Ally e Elody. Elas estão no último ano da escola, têm certas regalias e acham que estão acima dos outros. Dão risada, apelidam e menosprezam aqueles que não lhe interessam ou parecem diferentes, sem sal. Sam nem toma mais café da manhã com os pais, trata mal a irmã mais nova e namora um cara que nem de longe é o tipo de namorado que ela realmente queria ter, mas ele é popular, todas as meninas babam por ele e ele está com ela.

Elas são realmente amigas. Sabem que podem contar umas com as outras e se defendem, protegem. Mas também são fúteis, não se importam muito com notas, apenas com status. Lindsay vive batendo seu carro - apelidado de “tanque” – em outros carros, só para ter uma vaga melhor no estacionamento. Elas são umas chatas, daquelas que eu com certeza torceria o nariz se passasse por perto e me irritaram muito no começo do livro.

Essa é a questão com melhores amigas. É o que elas fazem. A impedem de enlouquecer. Página 193

Sam era uma garota legal. Fazia montaria, tirava boas notas e brincava sempre com Kent. Mas em uma festa Lindsay falou com ela do nada e tudo mudou. Agora ela era popular! Todas as meninas a invejavam – e uma boa parcela a odiava. As mais bobinhas queriam agradá-la e nem ousavam dirigir a palavra. Era como se fossem rainhas. Bom, mas aquela noite de sexta-feira seria diferente. As meninas decidem ir na festa de Kent, hoje um nerd zoado por todas elas. Como festa é festa, elas vão. Bebem vodka, beijam os namorados, se divertem, passam por situações embaraçosas – uma das meninas que elas maltratam chega na festa e as chama de vacas e Kent diz para Sam que vê como ela realmente é –, até que chega a hora de ir. Elas fazem farra no carro e Lindsay acende um cigarro, há uma confusão, um clarão, palavras incompreensíveis e a escuridão. Sam está morta, ela sabe disso.

O que estou querendo dizer é: talvez você possa se dar ao luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Talvez para você haja mil amanhãs, ou três mil, ou dez, tanto tempo que você pode se banhar nele, girar, deixar correr como moedas entre os seus dedos. Tanto tempo que você pode desperdiçar.

Mas para alguns de nós só existe hoje. E a verdade é que nunca se sabe. Página 205

Mas um barulho a acorda, o despertador? Ela olha no celular e vê que acordou na sexta-feira de novo e se acha uma louca. Será que foi tudo um sonho? Ela tem certeza que não quando novamente acorda na sexta-feira e tem que passar por aquele dia mais uma vez. Ela está revivendo seu último dia de vida. A cabeça de Sam é uma confusão, por que ela está vivendo todo esse dia de novo? O que ela tem que fazer? Será que pode salvar sua vida?

É impressionante como as coisas mudam com facilidade, como é fácil começar na mesma estrada que sempre pega e parar em um lugar novo. Um passo em falso, uma pausa, um desvio, e você acaba com novos amigos, uma reputação ruim, um namorado, ou um término de namoro. Nunca me ocorreu antes; nunca pude enxergar. E me faz sentir, estranhamente, como se todas essas possibilidads existissem simultaneamente, como se cada momento que vivemos contivesse milhares de outros momentos diferentes. Página 218

Quando se dá conta que vive o mesmo dia, ela experimenta. Toma atitudes péssimas, trata de um jeito muito pior seus pais, briga com as amigas, se veste como uma vagaba e até beija um professor. Porém, tudo tem uma consequência. Até que ela vê que não é esse o caminho. Ela volta a se importar com a família, com as pessoas que ela tratou mal e com a vida, mesmo sendo tarde demais para ela, pode não ser para os outros. Ela se despe de preconceitos, torna-se uma pessoa melhor, uma que sempre esteve ali, mas era ofuscada pelo medo de não ser mais popular.

Não sei nem se conseguirei fazer uma resenha a altura do livro, se conseguirei passar tudo que ele foi para mim. Ele é triste, bem triste, mas, como diz a gíria, dá nos dedos de quem esquece o quão maravilhoso é viver. Sam, apesar de ter morrido, conseguiu dias extras para entender esse presente, entender que seus pais são maravilhosos e que sua irmã é uma pessoa incrível, que não se abala com outras crianças rindo do jeito que ela fala e se veste. Aprendeu também que não se deve julgar as pessoas sem conhecê-las e que a pessoa que se venera nem sempre está certa sobre tudo. Inclusive, que um grande e verdadeiro amor pode estar tão perto, tão ao alcance das mãos, mas que ela não via por ser tola e achar que ser popular era tudo.

Eis mais uma coisa que acho engraçada: minha irmã de 8 anos ser mais corajosa do que eu. Ela, provavelmente, é mais corajosa do que a maioria das pessoas da Thomas Jefferson. Fico imaginando se isso um dia vai mudar, se será arrancado dela.  Página 210

O livro realmente mexeu comigo, deu aquele estalo, sabe? Não que eu não dê valor à vida, longe disso, mas todos temos momentos ruins e o livro reforça que eles não são tudo, podem ser vencidos. Basta realmente olhar.

Acho que se despedir é sempre assim – como pular de um precipício. A pior parte é tomar a decisão de fazê-lo. Depois que você está no ar, não há nada que possa fazer além de se libertar. Página 316

A história de Sam começou de um jeito e terminou tão linda, com uma garota tão mais madura. Foi incrível acompanhar esse amadurecimento e a mudança de caráter dela, tudo de forma sutil. Tudo o que você faz e deixa de fazer tem uma consequência e leva sua vida para uma direção.

Foi quando percebi que certos momento se estendem para sempre. Mesmo depois que terminam, continuam, mesmo depois que você está morta e enterrada, esses momentos perduram, no passado e no futuro, até a eternidade. São tudo e estão em todos os lugares ao mesmo tempo. Página 355

Bom, parece que eu ainda deixei algo para trás, que não comentei tudo que queria ou que precisava. Mas não vou estender mais a resenha. O que eu preciso mesmo deixar claro aqui é que Lauren Oliver escreveu um livro lindo, com uma mensagem que precisa ser assimilada por muitos nos dias de hoje e que é incrível, excelente. Sem dúvidas, recomendo. E essa capa é linda demais. Deu, parei.

Beijos!

Comente com o Facebook: