Um Dia

um dia Então, quase um ano depois de conseguir tê-lo, eu o li. Um livro intenso, cuja palavra-chave é desencontro. Alguns desencontros que levam a consequências e que mais parecem obra do destino mesmo. Uma história tão real, que mexeu comigo, por parecer tão mais possível de acontecer do que a grande maioria das tramas presentes nos livros. De partir o coração, de decepções, exageros e de sonhos. Não posso esquecer do amor, ele esteve presente em todas as páginas.

Eu tinha outros livros para resenhar antes, mas precisava desabafar sobre o escrito por David Nicholls. Emma é uma protagonista que me conquistou logo de cara, com seu humor, suas respostas rápidas e cheias de sarcasmo, por amar os livros, por sua inteligência, seu sonho de mudar o mundo. É daquelas que eu queria muito ser amiga, sem pestanejar. Mas ela também tinha defeitos, não se achava bonita o suficiente, legal o suficiente. Então quando Dexter vai para o apartamento dela depois da festa de formatura, Emma não acredita. Dexter era de uma turma diferente, popular, rico, um boa vida. Pegador, aventureiro, sem preocupações quanto ao futuro, um tanto egocêntrico. Não sei se eu queria ser amiga dele naquela época. Mas Em e Dex, Dex e Em, juntos formavam uma espécie de harmonia, uma coisa que era certa.

Dexter foi o primeiro a falar, suspirando e descansando o livro no peito: Lolita, de Nabokov, um presente de Emma, a responsável pela escolha de todas as leituras da viagem, uma pilha de livros, uma biblioteca ambulante que ocupava a maior parte da bagagem dela. Página 82

Emma sempre foi apaixonada por ele, mesmo quando o que todos viam era “só” amizade, ela sempre o amou. Quando o via ficar famoso com o programa de TV, quando sabia das 1497 namoradas diferentes, quando começou a beber como um louco e a se drogar, quando tudo ruiu, ainda assim ela o amava. E ele sempre soube disso, mas tinha medo. Ele também tinha o sentimento dentro dele, mas para que ficar com uma só quando podia ter todas? Emma era sua amiga, estaria ali para sempre, não é? Ele escolheu aproveitar a vida e deixar o amor para depois. O encontrou longe de Emma anos mais tarde, aliás, achou que tinha encontrado. E o destino fez sua parte, movendo as pecinhas, juntando-os nas mais difíceis e diferentes situações, provando os dois, sua amizade, seu amor. Até a prova final.

Amigos eram como roupas: lindas enquanto novas, mas acabam desgastando ou não serviam mais. Prova de quanto Dexter pode ser estúpido, Página 187

Quando li a última frase e fechei o livro, chorei. Chorei e chorei. De frustração, de saudade, de tudo que poderia ter sido. Ainda fiquei imaginando como poderia ter sido diferente se lá atrás eles não tivessem se desencontrado. Será que daria certo? Seriam felizes para sempre? O sonho dos contos de fadas invadiria essa história tão real? Não dá para saber, afinal, quem pode imaginar quais peças o destino moveria?

Encontrei alguns errinhos de digitação, nada de exagerado, nem que atrapalhasse. Fiquei entediada em algumas partes, mas o saldo final é ótimo. Um livro que eu me arrependeria horrores se não tivesse lido. É daqueles que faz pensar sobre as possibilidades, sobre a vida, sobre as escolhas. Emma me decepcionou com uma de suas escolhas, que eu jamais pensei que ela seria capaz. Ainda bem que acabou, mesmo levando tempo demais. Dexter fez eu ficar com vontade de dar uns sopapos nele, bem mais de uma vez. Todos os dois fizeram suas escolhas erradas. Achei realmente incrível a forma que Nicholls criou para contar essa história, um dia por ano. E tudo ficou perfeito desse jeito, foi um toque de mestre.

Não posso deixar de comentar sobre a capa. A original é legal, mas a com a foto do filme é linda, maravilhosa. Eu adoro. Mas estava observando ela esses dias que andei com o livro para cima e para baixo, fiquei com uma dúvida: por que eles não puxaram a foto um pouquinho mais para baixo para não cortar a cabeça do Dex? Né? Mas assim ficou bom também. Agora estou doida para ver o filme, que eu sei que não vai corresponder minhas expectativas, mas eu preciso! Estava passando no Telecine, mas essa semana não tem.

Sem mais delongas, fico por aqui. O livro mereceu quatro estrelas no Skoob, se eu pudesse dar mais meia estrela, daria. Indico.

Beijos e uma ótima terça-feira, chuvosa por aqui.

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