Sobre robôs e monstros #5

E aí pessoal tudo tranquilo?

Primeiramente gostaria de me desculpar por minha ausência na semana passada. Ela se deu por conta de um problema de saúde familiar, que ainda não está 100% sanado, mas que já está em um quadro muito melhor, o que acaba de deixando mais tranquilo até para darmos continuidade à nossa coluna!

Continuando o papo, na última coluna falei sobre um animê que sempre me agradou, que foi Digimon. Entretanto, hoje falarei de um tema em que me sinto mais a vontade ainda para divagar, que são os tokusatsus.

Para a coluna de hoje, escolhi uma série muito bacana e divertida e que cativou a audiência da época por sua criatividade, riqueza de roteiros e simpatia..

Cybercops! Os Policiais do Futuro!

Cybercops

Nossa, quando ouvia a narração desse título acompanhada do solo de guitarra no início da música de abertura, Cyber Heart, eu já começava a me arrepiar.

Sempre fui fã de Cybercops, apesar da baixa qualidade dos efeitos visuais, que se deu pela falta do uso de película para inserção de efeitos visuais. Seus episódios eram recheados de dramas e conflitos pessoais, além de muita pancadaria.

A série se passa em um “futurístico” ano de 1999 em que Tóquio é uma metrópole avançada em termos de tecnologia, mas também de criminalidade. Para conter as ameaças constantes à população, nasceu o ZAC – Zero-Section Armed Constables – que é uma divisão da Polícia Metropolitana de Tóquio que detém grande arsenal e tecnologia, além de ser o “lar” dos Cybercops.

Inicialmente a equipe contava com três Unidades Cyber, Marte, Mercúrio e Saturno, que eram vestidas, respectivamente, pelos policiais Akira Hojo, Osamu Saionji e Ryoichi Mori. Eles atuavam, em combate, sob a tutela da policial Tomoko Uesugi.

Quando a situação estava muito complicada ou os bandidos estavam fortemente armados, os Cybercops eram chamados à ação. Entretanto chegou o dia em que a Destrap (Death Trap no original) resolveu se tornar conhecida. Com uma tecnologia avançada, talvez até mais avançada que a do ZAC, logo de cara a Destrap chegou subjugando os Cybercops, e tudo teria ido por água abaixo, não fosse por um homem... Parafraseando Akira, “um tampinha que não passa de um amador”.

Sim, o homem do ano (rsrs), Shinya Takeda e sua unidade Júpiter aparecem e salvam os Cybercops do primeiro ataque da Destrap!

A partir de seu aparecimento, os conflitos pessoais se acirram, principalmente pelo fato de Akira não o aceitar logo de cara, mas também os policiais percebem que ainda estão muito aquém do potencial necessário para derrotar os inimigos da Destrap.

Com o passar dos episódios, muita coisa passa a ficar clara sobre o passado do policial Takeda, bem como sua ligação com o verdadeiro vilão da série e até mesmo com o Assassino vindo do Inferno, Lúcifer!

Apesar do baixo orçamento, mesmo para sua época, Cybercops cativou muitos fãs, não só no Japão mas também no Brasil, por fugir aos estereótipos aos quais os tokusatsus do fim da déc de 80 estavam presos, como super bazucas, robôs gigantes ou monstros. Tudo parecia muito verossímil, mesmo para uma série de ficção e o lado humano dos personagens era muito explorado. Até mesmo relacionamentos afetivos, que dificilmente eram abordados nesse tipo de série, acabaram aparecendo. As personalidades também foram muito exploradas, e isso contou positivamente para a série. Tínhamos o obstinado e esforçado Akira, o mulherengo e até descompromissado Ryoichi, o confuso e misterioso Takeda e o tímido e jovial Osamu.

Não só as pessoas da série eram muito diferentes entre si, mas as Unidades Cyber também o eram. A Unidade Marte era baseada na força de ataque e artilharia. Saturno tinha como mote principal a análise do campo de batalha e o rastreamento dos inimigos. Mercúrio era a unidade “leve”, atingindo velocidades surpreendentes. E Júpiter, bom, a Unidade Júpiter era simplesmente “a” Unidade. É necessário assistir à série para compreender rsrs.

Toda essa química foi misturada a muita ação, mistério e diversão, garantindo um resultado que suprimia a falta de bons efeitos especiais e até mesmo o fato de a série ter terminado antes do previsto, haja vista que possui apenas 34 episódios e mais 2 episódios de recapitulação, mas que deixa o espectador “grudado” na tela, do início ao fim!

Trilha Sonora

Das séries que passaram no Brasil entre o fim da déc. de 80 e início da déc. de 90, Cybercops era a que possuía uma das trilhas mais marcantes e legais. Fugindo um pouco do estereótipo de marchas militares e músicas que exaltavam valores, coisa comum nos tokusatsus, a trilha da série era muito atual. Seguia as tendências que os jovens da época ouviam, com batidas vibrantes. Como não se arrepiar com a música Tsuioku no Jupiter, interpretada pelo grande Norio Sakai, tocada no episódio onde os policiais precisam mudar sua forma de lutar e aprender a confiar uns nos outros para derrotar seus clones do mal? Para quem quiser conhecer, ou lembrar-se da música:

 

Sem esquecer, obviamente, da abertura e do encerramento da série, Cyber Heart cantada por Hiroshi Nishikawa e o encerramento, Shooting Star, cantada por Mika Chiba que é ninguém menos que a policial Tomoko da série. Aliás, ela foi uma pop star na época da série, lá no Japão, mas não se sabe por que ela resolveu deixar a música de lado.

 

 

Considerações Finais

Bom, creio que eu já tenha deixado bem claro o meu carinho pela série no início do post. Não só pela quebra de alguns paradigmas aos quais os fãs já estavam habituados, mas também pela “simpatia” dela pois ela trazia toda ação e história para níveis mais humanos. Obviamente que não tem como comparar, mas pode se dizer que Cybercops é o equivalente do Homem Aranha dos tokusatsus. Creio que mais humanos que eles, apenas o Ninja Jiraya, mas nesse caso, além de ser uma história para outro post, ele também é mais humano que o próprio Homem Aranha rsrs!

Entretanto, todo mundo sabe que na vida nem tudo são flores. E essa máxima também vale para nossos heróis. E no ano de 2002 o ator Shogo Shiotani, intérprete do determinado Akira – Cybercop Marte nos deixou de maneira muito triste. Muita gente não sabia, mas Shogo sofria de transtorno bipolar e ainda possuía um forte vínculo com o personagem que ele interpretou na série. Durante a déc de 90 e início dos anos 2000 ele tentou, por várias vezes, implementar uma continuação da série original. Apresentou o roteiro para vários estúdios, mas ninguém acolheu sua ideia. Como pano de fundo para um final previsível, Shogo foi se afastando de amigos e familiares, e em 05 de maio de 2002 o pior aconteceu e Shogo tirou a própria vida em decorrência de uma crise depressiva. Aos fãs, resta guardar a imagem do herói forte e obstinado, um verdadeiro líder que inspirou uma legião de crianças a nunca desistir e a confiar em seus próprios talentos e qualidades!

 

Bom, espero que tenham gostado galera e que continuem acompanhando esta coluna dentro do maior blog da internet, o Tudo que me interessa!

Um forte abraço a todos e cuidem-se!

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