O lado bom da vida

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Ontem tivemos reunião do Clube do Livro e o livro de Matthew Quick foi o foco da nossa discussão, devo acrescentar que foi uma das melhores discussões que já tivemos, até porque o livro abre mesmo um leque de questões a serem debatidas. Falamos sobre o Pat e as especulações no início da leitura sobre o que ele teria feito – teve todo um team que apostava que ele teria matado a Nikki –, falamos sobre a família dele, sobre o pai, que mesmo dando nos nervos é um personagem super real, sobre a doença de Pat e as manias de alguns participantes do Clube, nossa, falamos sobre tudo e muito mais.

E foi durante a discussão que eu me toquei que tenho um problema crônico, sou uma pessoa que se apega muito fácil aos personagens. Eu falei que adorava todo mundo no livro praticamente, até que uma das meninas me disse que eu gosto de todo mundo. E não é? Pat tem uma doença mental, é um cara de 34 anos com a mentalidade de uma criança e o fato de ele agir como uma criança e muitas vezes ser tratado como uma também, fez com que minha imagem dele fosse essa e tem como não se apegar a uma criança? Não. Pelo menos não comigo. Eu cuidava dele, temia que ele fizesse alguma besteira muito grande e torcia infinitamente para que o pai conversasse com ele. E quando o bendito Kenny G aparecia? [murmura uma única nota, conta até dez para esvaziar a mente] Nossa!!! Eu ficava apreensiva com esses momentos, sabia que ele podia arruinar tudo e isso me deixava louca – acho que não é a melhor palavra, mas... E, obviamente, queria muito saber porque o Sr. G transformava Pat em um destruidor insano. Para os curiosos aviso que o autor explica tudo.

Quem também provocava fortes emoções em Pat era o… Ahhhhhh!! E-A-G-L-E-S, EAGLES!!! Responsável por partes muito legais do livro. No encontro ontem teve quem não gostou dessa parte, mas a maioria adorou. Porque era quando víamos homens crescidos se comportando de forma descontrolada, tudo por causa de um time de futebol americano. Era nessas cenas que Pat e o pai tinham mais chances de se falar também e com uma vitória, ele até colocava as mãos no filho e o olhava, o que para Pat era uma vitória também. Os Eagles proporcionaram a Pat experiências incríveis e algumas não tão boas também. Já que estamos no assunto, vamos para a família dele. A mãe é bem mãe mesmo, daquelas guerreiras, que não desiste do filho, que faz tudo por ele, até inventar mentiras mirabolantes sobre o sumiço de fotos do diabo da Nikki. Uma mulher de fibra. O pai é muito parecido com o Pat, estourado e birrento. Se o Eagles perdesse, todos se preparavam para uma semana infernal na casa, já que o pai não falava com ninguém e até quebrava coisas durante a partida. Pat também tem um irmão, Jake, que foi um cara e tanto, a quem Pat só tinha amor.

E o diabo da Nikki? Bom, ela é ex-mulher de Pat, mas ele não sabe disso. Começando do começo, mas abordando isso no meio,   Pat passou algum tempo no lugar ruim, uma clínica para pessoas com doenças mentais, só que ele não sabe porque foi para lá, só sabe que está passando pelo tempo separados de Nikki, sua esposa. E a meta de sua vida é ser o cara que Nikki quer. Ele emagrece horrores, fica bombadão – essa rotina toda de exercício dele quase me deixou musculosa também – e também passa a ler os livros que Nikki trabalhava em suas aulas. Tudo pela Nikki. Era tanta obsessão por essa mulher que chegava a ser chato, até porque aumentava em níveis estratosféricos a curiosidade sobre essa mulher. Onde ela estava, o que aconteceu, por que ela abandonou ele? Também recebemos todas as respostas.

Sobre os livros que Pat lia, ah, eu queria dar uns petelecos nesse bocudo, principalmente porque na página 12 ele contou o fim de O Grande Gatsby, nosso próximo livro do Clube. E ele comentava tudo, contando mortes, explicando o motivo de não ter gostado, etc. E não só do Gatsby, ele também contou o fim de A letra escarlate, Adeus às armas, A redoma de vidro, As aventuras de Huckleberry Finn e O apanhador no campo de centeio. Ele reclamava que a maioria desses livros era muito depressivo, com finais tristes e ele estava atrás do seu final feliz, então essas histórias não eram muito animadoras, ele chegou até a rasgar um livro no meio tamanha decepção com o fim. Além de livros, as músicas também estavam presentes, temos a música trauma de Pat, do  Sr. G. – Songbird, Gonna Fly Now – a música do filme da vida dele – e a música de um dos momentos mais marcantes, Bonnie Tyler - Total Eclipse of The Heart.

A última teve a presença de Tiffany, uma pessoa que se tornou extremamente importante para Pat e outra pessoa com graves traumas. Ela é bem doida mesmo, perseguia Pat só para correr em silêncio com ele, ou para jantar cereais sem trocar sequer uma palavra, mas uma pessoa em quem ele sabia que podia confiar, uma amiga. Os dois eram pilares um para o outro, ajudando um ao outro. Pat cresceu bastante durante o livro. Como disse a Cíntia na reunião ontem, ele começou com 6 anos, depois passou para 8, 10 e terminou como um mocinho. Ele evoluiu e isso foi incrível de acompanhar. Até porque ele estava praticando ser gentil em vez de ter razão. Óbvio que também me apeguei à Tiffany, porque eu sou assim, me apego mesmo. Mesmo com seus defeitos, ela é uma pessoa extremamente forte, perspicaz e que sabia que podia ajudar um amigo.

Aliás, os amigos foram muito importantes para Pat e são na vida de todo mundo, né? Ah, quase ia esquecendo de comentar sobre o Dr. Patel, médico de Pat, que cara incrível!!! Sim, me apeguei totalmente a ele e queria ser sua amiga. Ele é um cara fantástico, que sabia a essência de Pat, que conseguiu se infiltrar e derrubar barreiras, que era um amigo quando não estava sentado no divã do consultório. Também tem o Danny, amigo que Pat fez no lugar ruim e que rende boas situações. Ai gente, deu para perceber que eu realmente gostei do livro, né? Eu praticamente devorei ele, me joguei naquele mundo e fiquei com pena de Pat, de Tiffany, por tudo o que eles tiveram que passar, mas fiquei imensamente feliz por eles terem uma base para se reerguer ou pelo menos para tentar. Acho que já escrevi demais e é capaz de eu ter esquecido de comentar algo, mesmo assim o essencial eu consegui passar.

Pat é um cara que busca o lado bom da vida, como o título diz, mas apesar de não aceitar no início que nem todo mundo tem o final feliz que quer – porque a vida não é asssim –, ele começa a entender que a vida também tem seus dramas e que, mais uma vez como foi comentado ontem, às vezes para chegar ao final feliz, precisamos passar por momentos ruins e enchergar o sol além das nuvens cinzas.

Sobre o filme eu nem vou comentar. Não assisti ainda, estava morrendo de vontade de assistir, mas o pessoal comentou que é decepcionante e eu murchei. Ainda quero ver e tudo, até porque já sei que foi apenas inspirado no livro e não baseado, minhas expectativas já estão baixas, então espero tirar algum proveito. Chega. Fui. Beijos e uma ótima quinta-feira.

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