Sobre robôs e monstros #11

Salve galera!

Novamente estou aqui para tentar trazer a vocês um pouco mais sobre o mundo de entretenimento japonês.

Nas colunas anteriores, vimos algumas séries que fizeram parte da infância de muita gente. Mas que, ao mesmo tempo, se tratavam de séries completamente inéditas para outras pessoas e que através da nossa coluna, passaram a conhecê-las. Isso me deixa muito contente!

Também tive a oportunidade de divagar sobre a figura do herói, com todas as suas nuances e suas dificuldades, principalmente por, na maioria das vezes, se tratar de um ser humano totalmente falível.

Na coluna de hoje, gostaria de partilhar com vocês a visão sobre um fato que é tratado de maneiras diferentes dependendo do lado do “globo” em que nos encontramos, e que é amplamente abordada e está presente em quase todas as séries japonesas: a morte!

O destino final

Creio que meu próprio título denuncie minha visão ocidentalizada sobre a morte. Desde que nascemos aprendemos que a única certeza na vida é de que um dia morreremos. Não se sabe quando e nem como, mas um dia ela chegará.

Na cultura ocidental a morte ainda é vista, na maioria das vezes, como o “fim”. E como tal carrega um estigma pesado, um tabu. Muita gente, inclusive, evita tocar nesse assunto por trazer à tona muitos sentimentos ruins e tristezas por entes queridos que nos deixaram. Contudo creio que esse mal estar causado pelo assunto se dá pelo que aprendemos a vida inteira em relação a ela. Não estou querendo julgar a percepção que nossa cultura tem sobre a morte, mas sim pontuar o porquê disso.

Mas aí, alguém pode me perguntar, onde eu quero chegar com isso?

Pois bem, na cultura oriental a morte é comumente tratada como apenas mais um rito de passagem do espírito. Ela não é o fim de tudo, mas apenas mais uma etapa do ciclo da vida. Obviamente a perda de um ente traz tanta tristeza lá como aqui, porém não existe o tabu que existe por aqui ao tratar do assunto. Prova disso é a quantidade de mortes que se vê em séries japonesas.

“Mas então as séries tentam mostrar morte ao invés de entreter o espectador?”. Não exatamente. O que eu acredito é que a intenção de mostrar tais mortes seja mostrar para quem está assistindo que somos seres extremamente frágeis e que, por isso, somos mortais. Qualquer um está a mercê dela. Nos animes e nos tokusatsus também é assim. Obviamente essas mortes acontecem de forma romanceada e em forma de sacrifício, porém ocorrem.

Ao parar para se analisar, pode parecer um pouco estranho e impactante expor crianças, uma vez que tais séries são direcionadas para um público de pouco mais de 6 anos, a mortes e sofrimento desses personagens. Porém existem duas variantes. Num primeiro momento, voltamos à situação onde a morte não é tratada como um tabu e nem como algo “monstruoso”. Depois se pode subentender que isso mostra aos espectadores de que a morte chega para todos, independente da situação e de quem se é herói ou vilão.

A grande maioria dos heróis que vemos nas séries japonesas passa por algum sofrimento que envolve a morte. As vezes chega a parecer um clichê utilizado pelas produtoras, entretanto isso não deixa de ser apenas a realidade vivida por todas as pessoas e entendo isso até mesmo como uma forma de mostrar a essas crianças como a vida vai trata-los, pois mesmo o seu super herói passa por isso, portanto ele também passará!

Nesse ponto, volto a enfatizar o importante papel das séries japonesas na formação de caráter dos seus fãs.

A primeira morte que eu vi, e que me lembro, foi a postada na semana passada, do Policial de Aço Jiban. De forma violenta e cruel, Jiban fora morto e acabou voltando à vida. Mas fica claro que isso só foi possível pelo fato de se tratar de um robô, e também pelo “milagre” ocorrido por conta de sua ligação com Ayumi.

Kamen Rider Black

Em Kamen Rider Black temos uma das mortes mais emocionantes dos tokusatsus. Não pela morte em si, mas pelo ensejo em que ela está envolvida, ensejo este que tratarei quando falar da série rsrs.

 

Novamente temos um herói morrendo em uma situação “normal”. Falo normal, pois o dia a dia do herói era lutar pelo bem da Terra, e em um de seus dias acabou encontrando um inimigo que tirou sua vida. Algo que pode ocorrer a qualquer mortal.

O grande Goku abusou de morrer e ressuscitar na epopeia Dragon Ball, e o legal das “mortes” desse herói, é que temos a oportunidade de vermos a vida de Goku no mundo espiritual. Inclusive vemos ele treinando, aumentando seu poder de luta, e até mesmo participando de um torneio de artes marciais no mundo dos mortos.

Goku morto

Acredito que isso, de certa forma, transforma a visão da morte para os pequenos fãs dessas séries. Não que a criança vá querer morrer para participar de um torneio de lutas, mas para mostrar uma realidade diferente do sofrimento, uma vez que no japão existe uma crença de vida após a morte diferente da nossa. Inclusive a questão da reencarnação, pois é possível presenciarmos a morte de Majin Boo e sua ressurreição como Ubu, onde fica clara a redenção de um espírito que fez o mal na vida anterior mas que, arrependido, tem uma nova chance de apagar os erros de sua vida anterior.

Ubu-Majin Boo

Isso acaba denotando, mais uma vez, que existe uma preocupação, por parte dessas séries, em, além de entreter, ajudar na formação do ser, mostrando aos pequeninos o que a vida os reserva e que se não tiverem força para enfrentar seu dia a dia perecerão mediante os obstáculos e, acima de tudo, valoriza o sacrifício em nome das pessoas que se ama e daquilo que é certo. Sim, pois nenhum dos heróis que perdem suas vidas as perde em nome de benefícios próprios ou objetivos egoístas. Não incentivam a morrer pelo que é certo, mas a agir de maneira correta e honesta, e isso é algo extremamente valioso, uma vez que eles influenciam na formação do caráter do ser humano.

Sei que o texto de hoje pode não ter sido dos mais empolgantes e nem o esperado, porém a vida nos reserva surpresas a cada dia e precisamos tentar estar preparados para todas elas, sendo agradáveis ou não. E nesse quesito eu vejo as séries japonesas muito bem sedimentadas, ajudando na compreensão de uma passagem que normalmente é muito dolorosa para todos.

Espero que não tenha decepcionado ninguém com a coluna de hoje, mas achei importante frisar a posição das séries japonesas na evolução do ser. Numa realidade televisivas onde vemos nas novelas trapaças, traições, falsidade e falta de amor ao próximo, gosto de pensar que ainda existem alternativas sadias e inteligentes que podem auxiliar o espectador a manter sua esperança no mundo.

Bom pessoal, realmente espero ter conseguido passar a minha mensagem, pois tratar de um assunto tão delicado não é algo muito fácil, porém muitas vezes necessário! Na próxima edição trarei algo bem especial para as meninas fãs da nossa coluna.

Um forte abraço a todos!

GREGok

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