Sobre robôs e monstros #14

Salve galera!

Semana da criança, estamos novamente aqui a desbravar o mundo da animação japonesa.

Na última edição tive o prazer de falar de uma das minhas séries de tokusatsu favorita, Kamen Rider Black. Foi realmente interessante ter a oportunidade de falar sobre essa série, pois ela é muito especial para mim.

Hoje falarei sobre uma série que passou no Brasil em uma época que éramos bombardeados por uma infinidade de produções japonesas, e olha que não falo apenas em Rede Manchete, mas sim em vários canais.

Ao contrário do que estávamos acostumados, o título em questão, trata-se de um OVA (Original Vídeo Animation), uma “série” com poucos episódios, normalmente de 3 a 5, e que são lançados diretamente para o mercado de home vídeo. Tecnicamente existiam muitos títulos disponíveis em locadoras do bairro da Liberdade, mas para o resto do Brasil era muito raro ter em mãos material como este, e para nosso deleite, a Rede Manchete passou a disponibilizá-los em na TV. Realmente é complicado para os fãs que não vivenciaram a época da Manchete, o fascínio que temos por esse canal, pois graças a ela, tivemos oportunidades que jamais teríamos de assistia a grandes títulos. Hoje tudo está mais fácil, com a internet, mas “lá atrás” isso era o ápice da nossa existência enquanto fãs, rsrs.

Bom, deixemos de enrolação e vamos falar sobre a série de hoje, por tanto, protejam-se, pois somente “um” poderá nos defender...

“Orguuunn”

Detonator Orgun 1

Detonator Orgun

Imagine-se em uma idade próxima aos 20 anos, estudando, jogando vídeo game, e não conseguindo se decidir sobre qual carreira seguir, conseguiu? Aposto que sim, agora imagine esta mesma situação no ano de 2292! Complicou um pouco, não? Pois esta é a realidade do jovem Tomoru Shindo, que além de estar vivendo uma crise existencial, ainda se sente deslocado, não em relação à cidade onde vive, mas em relação à época em que vive. Ele é meio obcecado pelo séc. XX, mais precisamente ao período alusivo à 2ª Guerra Mundial. Muito provavelmente por conta de a sociedade vivenciar um desenvolvimento que tornou a vida meio automática, sem grandes aventuras. Tanto é que ele pensava em se alistar à EDF, a força de defesa da Terra, para vivenciar alguma aventura.

Enquanto isso não acontecia, o passatempo de Tomoru é jogar PASFU, uma espécie de vídeo game “mental” que era jogado enquanto ele dormia e é justamente em uma dessas oportunidades que ele “conhece” o futuro amor de sua vida, Michi Kanzaki, que é um membro da EDF, e é através do jogo também que o ser denominado Orgun, começa a tentar fazer contato com Tomoru.

Detonator Orgun 2

Não é difícil imaginar a angústia do cara. Uma vez que já não bastava se sentir “preso” a uma época em que ele vive uma existência quase depressiva, um ser que ele não sabe de onde vem e nem quem é, começa a invadir sua mente e transferir suas memórias para ele... sinistro.

A “vidente” da sociedade em que o jovem vive, começa a fazer previsões de catástrofes e de destruição para a cidade. Kumi Jefferson começa a pedir que as pessoas tomem cuidado pois algo de muito ruim está para acontecer. E, depois disso, a intensidade dos contatos entre a mente de Tomoru e de Orgun começa a aumentar, incomodando o rapaz, não é para menos.

Entretanto, chega o dia em que a ameaça alertada por Kumi ataca a cidade. Uma forma de vida nunca antes vista e de uma força aterradora e que nem mesmo a EDF, com todo o seu poderio, teve capacidade de enfrentar. Tratam-se dos Evoluters, uma raça guerreira que não faz nada além de destruir os planetas que cruzam seu caminho. Sob o comando de sua líder espiritual Mihiku (familiar, não?) mas agindo sob as ordens diretas do Comandante Zoa, o primeiro de seus guerreiros chega a Terra para destruir seu desertor. Nesse momento, Orgun, sai à procura de Tomoru para juntos enfrentarem a ameaça. Quando ambos finalmente se encontram, o jovem toma controle da “armadura” e destrói o inimigo.

Ao fazer uso da “armadura” o rapaz descobre que os inimigos são uma forma de vida híbrida que possui um exoesqueleto mas que possui “entranhas” que lembram as humanas. Ainda é revelado, no episódio, que Orgun também é um Evoluter e que ele desertou para poder proteger à Terra.

 

Mas então, como seria possível, já que os Evoluters são organismos vivos, Orgun e Tomoru lutarem em uma espécie de simbiose? É dito que o corpo do rapaz se desfez através do uso de energia e se juntou ao da “armadura” e ambos dividiram a mesma consciência. Mas, por mais assustador que isso possa parecer, é nada se levarmos em consideração o que é descoberto mais adiante.

Vale lembrar que títulos lançados diretamente para vídeo, normalmente, são mais violentos, sensuais e muito menos infantis que as séries que são veiculadas na TV. É recorrente temas que usam futuros apocalípticos em que são mostradas muitas mortes e de maneira bem violentas, e, obviamente, Orgun não foge à essa regra. O OVA foi veiculado no programa US Mangá (até hoje não sei o porquê deste nome) que todas as sextas feiras mostravam um título na sua íntegra. Normalmente com episódios de quase uma hora, US Mangá nos deu acesso a muita coisa boa e de qualidade, com um tom mais sombrio do que estávamos acostumados. Realmente uma época de ouro.

Detonator Orgun 3

Voltando ao assunto principal, é revelado que os Evoluters, na verdade, descendem dos humanos. Isso porquê há quase 200 anos, uma expedição saída da Terra para uma região do espaço, falhou, e aquelas 82 pessoas, desapareceram. Contudo, elas não morreram, mas sim, se adaptaram à uma nova realidade. Construíram exoesqueletos para seus corpos para que pudessem sobreviver ao ambiente hostil. As gerações foram se sucedendo e os corpos dentro das armaduras foram atrofiando e virando aquilo que, atualmente, seriam os Evoluters. Trocando em miúdos, a vinda desses seres para a Terra, seria apenas uma “volta para casa”, incluindo nosso próprio herói, Orgun. Mas Orgun busca uma coisa, os Evoluters outra. Os inimigos buscam, na verdade, uma vingança por terem sido abandonados à própria sorte, para morrerem. Ao passo que o herói, busca recuperar aquilo que seu povo perdeu, no passado. Uma vez que Evoluters e humanos são a mesma espécie. Suas existências são quase que um espelho uma da outra, por isso Tomoru e Orgun conseguem se fundir, pois são praticamente equivalentes, cada um em seu mundo. Orgun também sente uma nostalgia em relação a um passado que não vivenciou.

Na batalha final é revelado que a líder dos Evoluters, Mhiku é usada para os planos de vingança do Comandante Zoa, que quer destruir os humanos. Kumi Jefferson, a líder espíritual da Terra, faz Mhiku perceber que os Evoluters perderam a compaixão, e que por isso não conseguem deixar de vagar pela escuridão. E este foi o motivo que fez Orgun “desertar” e buscar proteger a Terra. Na verdade ele não buscava apenas salvar os humanos, mas aos Evoluters também, pois ele também percebeu que sem recuperarem a capacidade de sentir compaixão pelos outros, sua raça estava destinada a escuridão eterna.

Detonator Orgun 4

Entretanto na batalha final, o Comandante Zoa consegue, mesmo morrendo, disparar o canhão de antimatéria de seu planeta de batalha. Isso obriga Orgun a utilizar seu ataque mais poderoso para proteger o planeta, o que acaba tirando sua própria vida.

Agora, o jovem Tomotu entendeu o sentido da vida de Orgun e entendeu que agora tem um porquê de continuar vivendo. Encontrou algo a que proteger!

A série é um claro aviso para a geração que a assistiu. Tudo que fazemos tem resultados e suas consequências podem voltar para nos cobrar. Realmente muito interessante e alarmante, ao mesmo tempo. Uma produção com consciência social, isso é muito legal.

Ficha Técnica

  • Título Original: Detonator Orgun
  • Estréia no Japão: 25/08/91
  • Número de episódios: 3
  • Produtora: Anime International Company (AIC)
  • Criação: Kia Asamiya
  • Trilha Sonora: Susumu Hirasawa

Bom, é isso pessoal, realmente esse foi um título que gostei muito de acompanhar, inclusive revi os 3 episódios e eles são muito legais. Estão todos no Youtube e creio que todos deveriam dar uma espiadela rsrs.
Espero que gostem, e muito obrigado por acompanhar a nossa coluna.
Até a próxima e uma ótima semana à todos!

GREGok

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