Sobre robôs e monstros #15

Salve galera!

Tudo tranquilo com vocês? Espero que sim.

Hoje estamos de volta com a nossa coluna, falando sobre as mais queridas séries japonesas.

Na última edição falei sobre um OVA que assisti e do qual gostei muito, Detonator Orgun, algo que só foi possível graças à querida Rede Manchete.

Pois bem, como falei de um anime em OVA, tinha pensado em falar sobre um tokusatsu nos mesmos moldes, porém me dei conta de que ainda não havia abordado um dos meus gêneros preferidos, os Super Sentai. Antes que alguém me venha com, é Power Rangers? Não, Power Rangers é uma produção americana que utiliza cenas de luta, cenas de robô, uniformes e monstros de séries japonesas originais e modificam as histórias e roteiros, além de colocar atores americanos em cenas civis.

Enfim, os Super Sentai são as séries dos Super Esquadrões coloridos que desde 1975 vem fazendo a alegria da criançada japonesa.

Acho que já enrolei demais e é hora de falarmos de coisa boa, então venham comigo e..

“Refração Flash!”

Comando Estelar Flashman

Flashman 1

Nossa, cheguei a ouvir as vozes misturadas de Jin, Dan, Go (Bun no original), Sara e Lu gritando o comando para transformação.

Para quem viveu a época de ouro dos tokusatsus no Brasil, o que é o meu caso, é difícil não ter um carinho muito grande por essa série.

Ela chegou às telinhas em meio ao turbilhão que Jaspion e Changeman provocaram e continuavam provocando. Sendo o segundo Super Sentai a aportar por terras tupiniquins, os guerreiros do planeta Flash não decepcionaram em nenhum sentido.

Com um visual mais descolado e diferente do que vimos no Sentai anterior, Flashman chegou com a missão de dar continuidade ao sucesso dos seus antecessores na emissora da família Bloch e não falhou no seu intento.

Já de começo tínhamos o plot da série explicado: “Um dia, cinco crianças foram raptadas da Terra, e levadas para os confins do universo... E, após, vinte anos...!”.

Flashman 2

Sim, a série tratava de cinco crianças que foram raptadas por caçadores espaciais, mas que tiveram a sorte de serem salvas pelo povo do Planeta Flash. Lá eles treinaram arduamente para um dia poderem voltar ao planeta natal e reencontrar suas famílias.

Chegando à Terra, a chuva de clichês do gênero começam. É um planeta bonito, rico em recursos naturais e, como não poderia deixar de ser, um império do mal está de olho, querendo se apossar de todas essas riquezas, e pretendendo exterminar com toda a raça humana para não serem atrapalhados. Como não poderia deixar de ser, os Flashman, recém chegados ao planeta, usariam seus poderes, armas e veículos para defender as pessoas de todo o mal causado pelo Cruzador Imperial Mess, que era comandado pelo Monarca La Deus e seu braço direito, o Dr. Keflen!

Todos apresentados, todos os arsenais mostrados, temos início a uma das sagas mais bem produzidas e trabalhadas da história da Toei.

Digo isso porque, além de ser pioneira em alguns quesitos que citarei adiante, a série trabalhou de maneira brilhante as personalidades de cada um. Até mesmo os vilões tiveram suas personas desconstruídas e mostraram um lado quase humano, mesmo não sendo. Praticamente havia uma motivação para o seu lado mal, além da destruição pura e simplesmente dita. Algo que não se vê em qualquer série infantil.

Do lado dos mocinhos, além da busca por cada família, nesse caso cinco, temos algo além das personalidades sendo trabalhadas. Temos a convivência de cada um com seu meio. Lembrem-se, são jovens com pouco mais de 20 anos, que nunca estiveram na Terra, que a vida toda treinaram em duríssimas condições e, agora, poderiam vivencias situações inéditas. Poderiam tentar se divertir, namorar, comer bons pratos, tudo que lhes fora privado durante uma vida graças ao rapto que sofreram. Inclusive isso é muito bem explorado em vários episódios, como quando Go se afeiçoa a uma mulher que perdeu o filho, ou quando a Sara sai em busca de um namorado, uma experiência a qual ela nunca teve oportunidade de vivenciar. A grande maioria dos Super Sentais que assisti praticamente ignoram esse lado dos heróis, com uma exceção aqui ou ali, basicamente temos combates, planos de dominação mundial e lutas com robôs. Não que Flashman não tenha, muito pelo contrário. Inclusive tem algumas das batalhas mais épicas que já vi, mas essa série em particular trabalhou muito bem os dramas dos personagens de maneira separada, além do drama conjunto, o da busca pelos pais.

Flashman3

A primeira reviravolta que temos é o aparecimento dos Tokimura, que afirmavam terem tido um bebê homem raptado há 20 anos. Isso mexeu com todos no grupo, pois um dos 3 membros masculinos, poderia ser o filho tão procurado pela família.

Mesclado a tudo isso, temos integrantes com personalidades muito diferentes, as vezes até conflitantes, o líder Jin, responsável e sempre preocupado com os amigos. Dan é marrento e brigão. Já Go é jovial, as vezes até em demasia. Enquanto Sara é sonhadora, Lu é séria e compenetrada. Essa mistura, que parece volátil, rende momentos de primazia, como no episódio onde Wandar tem acesso a um super poder e passa a torturar Jin, que mesmo tendo sua força reduzida mostra coragem e bravura:

 

No meio da série, temos o aparecimento do maior vilão que os jovens guerreiros conhecerão, o Caçador Espacial Kaura. Sim, ele é o responsável pelo grupo de Caçadores Espaciais que raptou os jovens guerreiros ainda bebês, e logo na sua chegada, mostra todo o seu poder e ainda traz consigo Za Scondor, o monstro que leva o poderoso Flash King à destruição. Agora, além de todas as intempéries, a equipe perdera sua mais poderosa arma, seu robô gigante.

Entretanto, como falei anteriormente, a série foi tida como pioneira em alguns aspectos e este foi um deles, pois ela apresenta um 2º robô gigante, o divertido e poderoso Titan Jr., que com o advento de seu trailer se transforma no Poderoso Gran Titan!

flashman 4

Chegando aos momentos finais da série, algumas revelações são feitas, mas a mais importante foi prometida à Sara por Kaura, que seria a dos nomes dos pais dela. Mas ele não chegou a fazê-lo pois morreu em decorrência da batalha antológica, ao pôr do sol, que teve com Red Flash. Vale lembrar que nesse momento da série os cinco jovens estavam sofrendo com a rejeição da atmosfera terrestre. Esse fenômeno se deu pelo tempo que passaram fora do planeta. Em virtude disso, seus corpos já não conseguiam mais se adaptar a atmosfera terrestre. Aliado a isso, eles ainda tinham que combater os inimigos de Mess e tentar encontrar seus pais.

A batalha final é uma das mais lindas da história dos tokusatsus. Sara estava desaparecida, restava menos de 24 h para que os jovens ficassem na Terra. Se eles não partissem de volta ao planeta Flash, morreriam por conta dos efeitos da nossa atmosfera e Setsuko Tokimura, esposa do Dr. Tokimura lembrou-se de que era uma menina que a família perdeu e por conta de alguns outros acontecimentos, que eu não revelarei, descobriram que a filha perdida da família era Sara.

Com menos de 24 h para ficarem na Terra, e com o agora modificado Monarca La Deus em La Zeuner tentando destruir tudo, os jovens tentavam proteger o planeta da aniquilação e, ao mesmo tempo, reunir família e filha que por tanto tempo ansiavam pelo encontro. Após a dura batalha, os heróis vencem, porém já não há mais tempo para eles. Todos são obrigados a embarcar de volta para o planeta Flash para não morrerem e o esperado encontro fica para um futuro, que todos prometem acontecer brevemente.

Flashman 5

Pode não parecer o melhor dos finais, mas pra mim, enquanto fã, foi brilhante. Além de não pôr um ponto final na história, o que deixa livre para a interpretação do telespectador os acontecimentos futuros, é de uma dramaticidade sem igual. Creio que isso fez de Flashman uma das minhas preferidas até hoje. Fora tudo isso, a série tem uma trilha sonora muito bem composta, com muito peso e arranjos perfeitos. Mesmo assistindo a vários Sentais ao longo do tempo, nenhum superou Flashman em muitos aspectos.

Ficha Técnica

  • Título Original: Choushinsei Flashman
  • Estréia no Japão: 01/03/1986
  • Número de episódios: 50
  • Produtoção: Moriyoshi Kato e Takeyuki Suzuki
  • Criação: Toei Company
  • Trilha Sonora: Kohei Tanaka

Bom, creio que seja isso pessoal, espero que tenham gostado. Muito obrigado por nos acompanhar e tenham todos uma ótima semana.

Até a próxima!

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