Sobre robôs e monstros #17

Feliz 2014 meus amigos! Bom, apesar de estar alguns dias atrasados, a intenção é o que vale rsrs. Primeiramente gostaria de agradecer a todos que acompanharam esta humilde coluna, no blog mais lido da internet, durante o ano de 2013.
Sei que tive meus percalços e acabei deixando vocês de lado em alguns momentos, mas estes se deram, sempre, por motivos que estavam além de meu controle. Bom, discurso à parte, gostaria de desejar a todos um ano repleto de realizações e que todos conquistem seus objetivos em mais um ano que se inicia.
Como não poderia deixar de ser, na primeira semana do ano, iniciaremos com pé direito, trazendo o “pai” de todos os Metal Heroes. Sim, falo do precursor de Jaspion, Jiban e tantos outros heróis com suas armaduras de metal que lotaram nossa telinha.
Infelizmente, para nós e também para esse herói, a série foi adquirida pela grandiosa Rede Globo, especialista em dilacerar aberturas e encerramentos dos seus “enlatados” e por trata-los com o mesmo respeito que tratamos um grão de poeira rsrs.
Bom, preparem a pipoca e embarquemos juntos no cruzador espacial oriundo da estrela Bird e..
Jochaku”
Uchuu Keiji Gyaban
Sim, para quem não sabe, no início dos anos 80, a Toei Company passava por uma entressafra na sua divisão de live actions. Apesar de os Super Sentais ainda estar rendendo bons dividendos, a parceria com a Ishimori Pro já não rendia bons frutos tendo em vista a repetição dos enredos, o que acabou desgastando a imagem dos Kamen Riders, fazendo com que eles tirassem uma folga após a série Kamen Rider Super-1, que estreou em 1980.
Gyaban 1
A ideia seria lançar um produto novo, totalmente inovador e que atraísse a audiência logo de cara. Para o novo intento, um experiente ator fora chamado, Kenji Ohba. Outorgaram-lhe uma armadura metálica que brilhava (em algumas cenas), veículos incríveis, um mecha diferente de tudo que fora visto, até então, e uma espada a laser que poderia destruir qualquer coisa. E assim, nasceu o primeiro Metal Hero, o poderoso Policial do Espaço Gyaban. Naquela época a Toei nem imaginava que, além de um gênero novo, criava um subgênero, o dos policiais do espaço. Esse subgênero renderia mais duas séries, mas isso é assunto para uma próxima coluna.
Voltando à nova série, o enredo mostrava um jovem Policial do Espaço que voltava ao planeta natal de sua mãe, a Terra, para tentar frear a investida da Organização Criminosa Espacial Makuu de conquistar o planeta. Como pano de fundo, Retsu intensifica sua busca por seu pai, também um Policial do Espaço, Voicer que fora sequestrado por Makuu há anos.
Para tentar se manter disfarçado, Retsu consegue emprego em um haras e, auxiliado por sua parceira Mimi, investiga os planos do clã maligno liderado pelo impiedoso Don Horror.
Como não poderia deixar de ser, quando o herói encontrava com os soldados e monstros inimigos, envergava sua poderosa armadura cromada que é enviada de sua nave Dolgiran através do processo de transformação. Sempre que se encontrava em uma situação de perigo extremo, Retsu gritava “Jochaku”(adaptado como “transformação pela dublagem brasileira) e em 0,05s as partículas de Granium revestiam seu corpo transformando-o no Policial do Espaço Gyaban.
Gyaban 2
Durante as lutas, a Organização Makuu abusava do artifício de mandar o nosso herói e seu monstro para o “Espaço Makuu”, uma dimensão onde o inimigo tinha seu poder aumentado e todo o ambiente conspirava contra o protagonista da história.
Para chegar em segurança ao local do combate, Gyaban contava com a ajuda de sua moto Saibarian e para enfrentar os ataques que sofria do próprio espaço Makuu eram convocado o poderoso tanque Gavion, que carregava consigo a poderosa broca Scooper, ou então o mais belo mecha que já vi, a Fera Eletrônica Estelar Doru. Tá certo que o nome não parece ser dos mais legais, mas um dragão estelar que combate as naves inimigas é simplesmente incrível!
Fora tudo isso, o herói tinha uma postura meio rebelde, pois sempre comandava suas máquinas de fora do cockpit, demonstrando quase um controle mental sobre elas.
Quando as ameaças externas eram eliminadas, finalmente tínhamos o embate, cara a cara, contra o monstro do dia.
Para tanto, Gyaban fazia uso de sua Espada a Laser (sim, foi inspirado no Sabre de Luz de Star Wars) e quando o derradeiro momento chegava, ele era derrotado com o poderoso “Gyaban Dynamic”!
gyaban 5

Se você acompanhou Jaspion, Spielvan ou outros Metal Heroes, nada disso parece novidade, mas acredite, quando a série estreou em 1982 foi um verdadeiro furor entre os fãs.
De qualquer forma, a trama de luta contra um império do mal não era nenhuma novidade para os fãs de tokusatsus, mas a série tinha uma pegada bem interessante pois o herói que lutava sozinho era um ser humano, diferente dos Kamen Riders que eram ciborgs ou dos Ultras que eram extraterrestres. Os integrantes dos Super Sentais também eram humanos, mas lutavam em equipe.
Com o passar da série, Retus foi enfrentando inimigos mais fortes, chegando ao ponto em que o herói fora finalmente derrotado por um dos enviados pelo clã Makuu e precisou de ajuda de alguém mais experiente para poder transpor esse novo obstáculo.
Contudo, os inimigos não eram o forte da série. Creio que eles não foram tão bem pensados como nas séries subsequentes. Deram bastante atenção ao herói, mas deixaram um pouco a desejar nos antagonistas. Apesar de cumprirem seu papel com eficiência, creio que poderiam ter apresentado uma ameaça maior ao policial do espaço.
Penso que a produtora percebeu que algo faltava para ser a cereja de seu bolo. Faltava algo para coroar o lançamento que atingiu índices muito bons de audiência. Para tanto fora enfocada a busca pelo pai de Gyaban.
Tudo começou, muito timidamente, com Retsu encontrando a nave abandonada de seu pai. Isso mexeu profundamente com ele, ainda mais depois de encontrar um relógio de bolso de seu pai, exatamente igual ao que ele possuía, que quando aberto, além de tocar uma melodia muito bonita, revelou uma foto dele, ainda criança, junto com sua mãe. Aquilo, de certa forma, reacendeu no policial a esperança de encontrar Voicer com vida.
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No meio da série, com os frequentes fracassos de seu comandante, Hunter Killer, Don Horror convocou seu filho San Dorva e sua mãe a bruxa Kiba para tentar derrotar o guerreiro prateado. Isso mexeu com os brios de Hunter Killer e o fez abandonar a organização Makuu. Organização que o atraíra há anos atrás, seduzindo-o a ponto de abandonar a Polícia Galáctica e trair seu parceiro, Voicer.
Entretanto, mesmo com toda a procura, parecia impossível que o pai do jovem herói fosse encontrado, mas no último minuto, buscando redenção, Hunter Killer oferece ajuda.
Após abandonar a organização inimiga, o vilão fora abandonado no espaço para morrer. Mas acabou sendo salvo por uma patrulha do Planeta Bird e, buscando perdão por seus atos do passado, acabou revelando o paradeiro do pai de Gyaban.
Como um jovem leão enfurecido, o herói parte em busca de seu pai, quando descobre que seu sequestro se deu por conta de Voicer conhecer o projeto de um canhão que tinha poder de destruir a Terra. A dor do jovem policial só aumenta quando ele encontra o local onde seu pai fora torturado por muitos anos. Só de imaginar o sofrimento pelo qual Voicer passou Gyaban quase arde em chamas de tanta raiva e continua sua busca incessante.
Finalmente o local onde Voicer está preso é encontrado. Porém como já seria de se imaginar, o herói encontra muita resistência, inclusive sendo atacado pelo próprio filho de Don Horror, o palerma San Dorva e sua mãe Kiba.
O esperado aconteceu e Retsu derrotou a resistência, obrigando San Dorva a bater em retirada e de quebra ainda destruiu o poderoso canhão que Makuu estava construindo.
Agora, só restava procurar pelo pai que há tanto está desaparecido, e a cena deste encontro é simplesmente um primor.
O protagonista caminha despretensiosamente por corredores, até encontrar uma câmara com uma cela onde está caído um homem aparentando pouco mais de 40 anos de idade.
O jovem, quase incrédulo, se aproxima das grades e parece não acreditar no que vê. Ao mesmo tempo, o homem acorda meio desorientado e admirado com aquele jovem homem que o fita. Retsu pega seu relógio de bolso, o abre liberando a bela melodia e olha, emocionado para o homem que ele tanto procurou:


Já mencionei que a cena foi muito bem construída. Para quem está acostumado a produções japonesas, este tipo de cena é até comum, mas esta em especial me pareceu muito bela. Ela toda é muito delicada, mostra a emoção crescendo nos dois personagens de maneira gradativa. A cada tomada, ambos aparecem mais emocionados, até que a primeira lágrima cai no rosto do herói, de maneira muito singela e, depois de tantos anos, ele pôde ouvir novamente a voz de seu pai chamando por seu nome. Realmente é muito difícil, para quem acompanhou a série toda, segurar a emoção neste momento. É um momento simplesmente foda.
Todavia, nem tudo são flores na vida de quem luta pela justiça nesse mundo. Após ter seu pai em seus braços novamente, poder conversar com ele e sentir novamente o amor dele, Retsu tem de ver seu pai morrer na sua frente. Isso porque devido aos anos de tortura, o corpo de Voicer já estava completamente debilitado e ele apenas tinha sobrevivido para guardar o segredo que revelava os ajustes finais do poderoso canhão que Makuu tanto queria. Com o seu resgate, a mente do antigo policial finalmente descansou. A cena é desesperadora com o herói incrédulo chorando em cima do corpo do pai que tanto procurou que tanto lutou para libertar, mas que, de certa forma, ele sabia que finalmente ele descansara:


Agora, com seu principal objetivo cumprido, nada mais restava a Gyaban que não fosse destruir por completo todo o clã Makuu, e como não poderia deixar de ser, isso foi feito de maneira primordial.
A série que foi um sucesso absoluto no Japão, não teve o mesmo apelo no Brasil. Primeiro porque a Globo não tinha tradição em exibir este tipo de série. Apenas a adquiriu por conta da onda de sucesso de Jaspion e Changeman. A dublagem foi horrivelmente executada, com trocas de expressões de impacto por expressões infantis, como por exemplo o poderoso “Spiral Kick” que o herói usava, virou “Ataque Frontal”. A ideia de dublar o herói em seu traje de combate com alguma coisa na frente da boca pelo fato de ele usar um capacete. Nomes, falta de continuidade nos textos, como quando Gyaban se transformava, o processo era repetido e explicado aos expectadores e em todo episódio o texto era modificado pela dublagem. A falta de respeito com horários de exibição também mataram qualquer chance que a série tinha de fazer sucesso. Enfim, muitos foram os fatores que prejudicaram a exibição deste primoroso seriado no país.
 
gyaban 3

Ficha Técnica
  • Título Original: Uchuu Keiji Gyaban
  • Estréia no Japão: 05/03/82
  • Número de episódios: 44
  • Produtora: Toei Company
  • Criação: Shozo Uehara e outros
  • Trilha Sonora: MichiakiWatanabe
Bom galera é isso.
Espero que tenham curtido a coluna de hoje e que continuem nos acompanhando e apoiando em 2014.
Um forte abraço e muito obrigado!

GREGok













































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