Sobre robôs e monstros #18

Salve galera, tudo tranquilo?

Espero que sim. E em mais um domingo de verão estamos por aqui para nos divertirmos com o mundo do entretenimento oriental!

Na coluna anterior, falei sobre o pai de todos os Metal Heroes, o grande, o único e inconfundível Gyaban. Acredito que fui eu quem mais curtiu essa edição em si, pois não só era de um personagem muito querido para mim, como tive oportunidade de rever partes da série que há muito não assistia.

Para a edição de hoje, e para mudar um pouco, não falarei sobre uma série, mas sim sobre um filme. Obviamente é um filme baseado em uma série, mais precisamente em um dos títulos mais legais já lançados, e que assisti muito nos tempos do canal Animax.

Portanto, preparem suas katanas, assumam suas posições de luta e..

“Sou Ryu Sen”

Rurouni Kenshin

Rurouni 1

Para os que não conhecem este nome, provavelmente devem conhecer o nome que o anime ganhou no Brasil, Samurai X. Apesar de eu achar uma denominação infame(rsrs) não vou entrar no mérito da questão, mas sim me limitarei a falar do filme em live action que foi lançado em agosto do ano passado.

O filme começa contando o inicio da restauração do Japão, que se deu por volta do fim do séc. XIX, que, por conseguinte, seria o fim da vida de Kenshin, como o lendário Retalhador Battousai. Logo de cara já se vê outro personagem muito marcante, tanto no anime, como no mangá, que é Hajime Saitou que na época era rival de Kenshin, mas acabou se tornando policial na nova ordem que se instalou no país. Para quem assistiu a versão animada, é bem interessante ver o encontro de personagens tão emblemáticos, logo de início. No finalzinho desse pequeno arco, ainda se vê Kenshin abandonando sua espada, e esta é usurpada por Jin’e.

O que se segue são os fatos que todos os familiarizados com a série, conhecem. Kenshin vira um andarilho pacifista que jura nunca mais matar ninguém, apenas proteger as pessoas que necessitam, usando seu Hiten Mitsurugi – O Kendo para ser usado por um contra muitos.

Após 11 anos de seu último assassinato, Kenshin conhece a jovem Kaoru Kamiya, mestre no Dojo Kamiya Kashin, que está decadente desde a morte de seu pai e que já não possui alunos, a não ser o jovem órfão Yahiko Myojin.

A região sofre com os problemas causados pela venda indiscriminada de ópio, que é produzido pelo traficante Takeda Kanryu, e pelos assassinatos cometidos pelo lendário Battousai, o Retalhador. Mas aí alguém pode perguntar: “Mas Kenshin não tinha jurado não mais matar?”. Exato! Entretanto, alguém está se fazendo passar por ele e isso faz com que Kenshin permaneça na localidade e, ao ver a jovem Kaoru ser atacada em seu Dojo por uma gangue, ele resolve ficar junto dela para protegê-la, porém sem que ninguém conheça sua verdadeira identidade e nem mesmo o seu passado obscuro.

Não demora muito, porém, para o herói descobrir quem está se passando por ele e para quem esse falsário trabalha, e também, para que Kaoru descubra a verdadeira identidade do andarilho.

O filme não foge muito ao que se viu na série animada, as poucas coisas que mudam são as ordens de aparição de alguns personagens, contudo pode-se dizer que é uma adaptação muito boa, se preocupando muito mais em manter a fidelidade do que tentando atrair grandes públicos para o cinema, coisa que as produtoras americanas poderiam aprender na hora de adaptar os heróis dos quadrinhos. Até mesmo a aparência fragilizada de Kenshin foi mantida, algo muito importante para o desenvolver da história.

Rurouni 2

Não posso dizer que a adaptação foi extremamente fiel, mas foi o mais próximo possível. O primeiro encontro entre Sanosuke e Kenshin, Megumi surgindo de maneira estranha e Kaoru tendo ciúmes da relação dela com Kenshin e até mesmo a cooperação entre os outrora rivais, Saito e Kenshin. Tudo foi mantido o mais próximo possível do original e isso é algo muito bom.

Mas melhor que tudo isso, são as cenas de ação e trilha sonora.

Nada de computação gráfica. Quase todas as cenas foram feitas com o artifício do uso de cabos de aço. Mas não tem ninguém andando em varas de bambus, pois o uso dos mesmos se deu nas cenas no chão. Eles serviram pra tornar tudo mais rápido e, por conseguinte, mais violento. As tomadas de luta são primorosas e causam bastante impacto. Os embates não são resolvidos de maneira tão simples, como mostrado em “O Último Samurai”. Quero dizer que não bastavam um ou dois golpes para matar o inimigo. Na luta final do filme, isso fica muito claro. É possível ver faíscas saindo das espadas, tamanha a força e quantidades de golpes que ambos desferem.

Rurouni 3

A trilha sonora é outro caso a parte. Nada de Shamisens ou flautas, que não tenho nada contra mas que são comuns em produções japonesas. Da mesma forma não é aquele exagero das produções americanas que possuem trilhas no melhor estilo “autoajuda” em que se escuta a música e dá vontade de ir lutar na tela, na mais pura certeza de que se pode derrubar alguém na porrada rsrs. As músicas desse filme foram muito bem produzidas e em algumas cenas chegam a ter uma natureza poética indescritível.

Algo que eu gostei muito no filme, foi o fato de ele mostrar o momento em que o espírito de Retalhador de Kenshin é quebrado. Em uma de suas missões de assassinato em nome da reunificação do Japão ele mata um grupo de samurais. Contudo um destes samurais lutou até o último suspiro porque tinha uma razão maior para continuar vivendo. Ele não chegou a causar muito trabalho para Battousai, mas teimava em não morrer por conta desse objetivo, e isso fez que o protagonista duvidasse de sua missão e foi a partir desse momento que ele passou a rever seus conceitos e sua posição dentro da nova ordem que estava por se instalar. Em tempo, a cena é de uma beleza incrível. É extremamente violenta, com mortes a sangue frio, mas com uma trilha de arrepiar, vale a pensa ser vista.

Rurouni 4

Por fim, creio que não caberia, aqui, contar a história do filme, pois seria interessante que todos pudessem assistir. Digo isso porque não há nenhuma necessidade de se conhecer a história original, seja em anime ou mangá, para poder curtir o filme. Ele mesmo se explica e permite que o expectador não perca nada e que, ainda, consiga imergir no universo dos acontecimentos. É um filme extremamente recomendado!

 

Ah, eu já ia me esquecendo, para os que assistiram o filme e se perguntaram onde andaria o mumificado Shishio e sua Juppongatana, vou responder apenas com uma foto oficial:

Rurouni 5

Ficha Técnica:

  • Título Original: Rurouni Kenshin
  • Direção: Keishi Otomo
  • Produção: Osamu Kubota
  • Trilha: Naoki Sato
  • Distribuição: Warner Bros.
  • Lançamento: 25/08/2012

Bom Pessoal, é isso, espero que tenham gostado e que continuem nos acompanhando.
Tenham todos uma ótima semana e até a próxima coluna.

Abraços e muito obrigado!

Comente com o Facebook: